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Promotoria de Roma reabre caso da morte de Pasolini após evidências de DNA

Internacional|Do R7

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Roma, 1 dez (EFE).- A promotoria de Roma ouviu nesta segunda-feira o único condenado pelo assassinato do cineasta Pier Paolo Pasolini, Pino Pelosi, testemunho que faz parte da investigação reaberta após a descoberta de vestígios de DNA na roupa que o artista italiano usava na noite de seu assassinato. Pelosi, que na época era garoto de programa, se declarou culpado do crime, mas voltou atrás na declaração, o que não evitou sua condenação a nove anos e meio de prisão pelo assassinato. Hoje, Pelosi reafirmou sua inocência ao procurador, Francesco Minisci. Segundo a testemunha, o assassinato, em 2 de novembro de 1975 no porto de Ostia (perto de Roma), por um grupo de seis pessoas "que fizeram uma emboscada". "Pasolini foi assassinado por três pessoas. Bateram nele a sangue frio diante dos meus próprios olhos. Eram romanos. Dois eram os irmãos Borsellino (Franco e Giuseppe, já mortoos). Foi vítima de uma emboscada detalhadamente planejada", assinalou Pelosi, solto em 1983. A emboscada foi planejada, segundo a testemunha, para roubar o dinheiro que o artista estava oferecendo em troca de rolos do filme "Saló ou os 120 dias de Sodoma" (1975), que haviam sido roubadas. "O convenceram a ir a Ostia com a desculpa de negociar a venda dos rolos de 'Saló', roubadas um pouco antes. Ele tinha consigo o dinheiro, era uma desculpa para roubá-lo", contou. Pelosi afirmou que na noite do crime, sob a tapeçaria do veículo de Pasolini, havia "três ou quatro milhões de liras que nunca foram encontrados". No local havia "três automóveis, uma motocicleta e pelo menos seis pessoas", que não pôde identificar. Pasolini, que tinha 53 anos, foi encontrado com múltiplas e severas contusões, após ser espancado e atropelado por seu próprio carro. Pelosi disse que junto do Alfa GT de Pasolini, "havia um Fiat 1.300 e outro Alfa idêntico" ao do diretor de "Desajuste Social" (1961) e de "O Evangelho segundo São Mateus" (1964). Ele testemunhou lembrou que "era uma noite muito escura" mas que após fugir, chegou a ver "duas pessoas Pasolini e o tiravam do veículo". "De onde estava pude escutar Pier Paolo gritar e pedir ajuda, mas logo depois nada", assinalou. A investigação foi reaberta em 2010, depois que uma série de estudos clínicos comprovou a presença de traços de DNA na roupa que Pasolini vestia na noite do crime. A morte do polêmico cineasta esteve envolvida em um halo de mistério desde a noite de 2 de novembro de 1975, quando Pasolini e Pelosi foram a Ostia ter relações sexuais. Segundo a versão oficial, eles tiveram uma briga que derivou na morte do diretor. Essa versão foi amplamente discutida na Itália já que muitos consideram Pelosi, que tinha 17 anos na época, incapaz de infligir tamanho dano ao cineasta. EFE gsm/cd

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