Protestos pela morte de líder muçulmano no Quênia deixa quatro mortos
Internacional|Do R7
Nairóbi, 4 out (EFE) - Pelo menos quatro pessoas morreram nesta sexta-feira e sete ficaram feridas durante os distúrbios ocorridos em Mombaça, no litoral sul do Quênia, após o assassinato do destacado clérigo muçulmano Sheikh Ibrahim Rogo. Segundo a Cruz Vermelha do país, as vítimas não resistiram aos graves ferimentos sofridos durante os enfrentamentos com a polícia nos distritos de Kisauni e Majengo. Uma multidão originou diferentes distúrbios nos citados distritos da cidade portuária, entre eles o incêndio de uma igreja do Exército de Salvação. Os distúrbios começaram após a tradicional reza de sexta-feira dos muçulmanos, em protesto pela morte de Rogo e outras três pessoas assassinadas a tiros na noite de ontem quando retornavam de uma mesquita. Por volta das 22h local de ontem (16h, horário de Brasília), o veículo no qual Rogo viajava com seus acompanhantes foi alvo de tiros a menos de um quilômetro da delegacia de Bamburi, no norte de Mombaça. Só um dos ocupantes sobreviveu ao ataque, Salim Aboud, que relatou que vários homens armados começaram a disparar sobre a caminhonete na qual os cinco estavam, até o veículo sair da estrada. O líder muçulmano Abubakar Shariff, que foi até a cena do ataque, acusou a Unidade da Polícia Antiterrorista (ATPU, por sua sigla em inglês) pelo massacre. Na sua opinião, a polícia quis se vingar do atentado terrorista realizado pela milícia fundamentalista somali Al Shabab no centro comercial Westgate de Nairóbi entre 21 e 24 de setembro, um ataque no qual morreram pelo menos 74 pessoas. A situação em Mombaça é tensa e a polícia ainda trata de conter a multidão com um desdobramento de "centenas de agentes armados", segundo o jornal queniano "The Standard". Por enquanto, há quatro vítimas mortais e outras sete pessoas estão sendo tratadas em hospitais por conta dos ferimentos de diversas gravidades. O falecido Rogo era considerado o sucessor de Aboud Rogo, radical islâmico que também foi assassinado a tiros em Mombaça em circunstâncias muito similares em 27 de agosto de 2012. Sua morte também provocou uma onda de violência muito parecida com a atual, que acabou com três policiais mortos e vários feridos. A ONU e os Estados Unidos consideravam o clérigo muçulmano assassinado em 2012 como um dos principais líderes do Al Shabab no Quênia. Este tinha sido julgado por sua suposta relação com o ataque perpetrado em 2002 em Mombaça contra o Hotel Paradise (de propriedade judia), que acabou com a vida de 13 pessoas e deixou 80 feridos. Em fevereiro de 2012, Aboud Rogo foi detido pela suposta posse de um kalashnikov, 113 carregadores de munição, duas granadas, duas pistolas e 102 detonadores. Cerca de 20% da população queniana que professa a fé muçulmana está concentrada em sua maioria no litoral do país africano. Embora a convivência entre as diferentes religiões no Quênia -onde a maioria da população é cristã- seja tradicionalmente pacífica, nos últimos anos aumentou o ressentimento entre cristãos e muçulmanos. Em parte, isto de deve ao recrutamento em território queniano, por parte de Al Shabab, de novos combatentes que teriam cometido diversos atentados no Quênia. EFE jmc/ff











