Protestos, tragédia: como estudantes derrubaram 14 anos de domínio político na Sérvia
Movimento estudantil declarou vitória nas eleições antecipadas após quase dois anos de manifestações contra o governo
Internacional|Do R7
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O movimento estudantil da Sérvia declarou vitória nas eleições legislativas deste domingo (25), encerrando os 14 anos de poder do partido populista de direita de Aleksandar Vucic. As eleições antecipadas foram convocadas por Vucic em setembro, após quase dois anos de manifestações lideradas por estudantes.
“Ainda não temos os resultados finais, com base em uma amostra... é claro que perdemos estas eleições, a Lista Estudantil venceu, eles terão entre 135 e 140 cadeiras e nós teremos 105, ninguém mais entrou no parlamento”, disse Vucic, segundo a Reuters.
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Como surgiu o movimento estudantil?
Os protestos liderados por estudantes começaram após uma tragédia em novembro de 2024, quando a cobertura de concreto da estação ferroviária de Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia, desabou e matou 16 pessoas.
O acidente foi a “gota d’água” para críticos do governo, que associaram as mortes à corrupção e negligência. De acordo com opositores, a tragédia foi causada por problemas na reforma da estação, um projeto acompanhado de perto por Vucic.
Os estudantes então passaram a organizar protestos em faculdades, exigindo justiça pelas mortes e responsabilização dos envolvidos. Com o tempo, as manifestações ganharam força e se espalharam pelo país, reunindo diferentes grupos e transformando a tragédia em um símbolo da insatisfação com o governo.
Em janeiro de 2025, pressionado pelos protestos, o então primeiro-ministro Miloš Vučević renunciou. Dois meses depois, Belgrado, capital da Sérvia, recebeu a maior manifestação antigovernamental da história do país.
Sem uma liderança central, os estudantes se organizaram por meio de assembleias, nas quais discutiam os próximos passos do movimento e, com o tempo, construíram uma campanha política apoiada por opositores ao governo.
Quando o presidente convocou as eleições antecipadas, em setembro deste ano, a chamada Lista Estudantil já contava com candidatos às 250 cadeiras do Parlamento. A dúvida agora, segundo a BBC, é quem o movimento vai escolher como líder.













