Quem é o magnata ucraniano no centro do misterioso atentado em Mônaco?
Motivo do ataque é desconhecido, mas Yermolaiev foi sancionado por Kiev por negócios na Crimeia ocupada pela Rússia
Internacional|Ivana Kottasová, da CNN Internacional
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O motivo por trás do ataque de segunda-feira (29) contra um milionário nascido na Ucrânia em Mônaco permanece envolto em mistério, enquanto os moradores da cidade-estado super-rica lidam com uma sensação de segurança repentinamente abalada.
As vítimas também não foram identificadas imediatamente pelas autoridades, mas a afiliada francesa da CNN Internacional, BFMTV, informou que Vadym Yermolaiev era o alvo do atentado na noite de segunda-feira e ficou ferido pela explosão de uma bomba.
Yermolaiev fez fortuna na cidade de Dnipro, no sudeste da Ucrânia, durante os anos selvagens pós-soviéticos.
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Ele era focado principalmente em imóveis e, em determinado momento, esteve entre os ucranianos mais ricos.
Antes da guerra, Dnipro tinha a reputação de uma capital espalhafatosa de riqueza e luxo, onde a diferença entre as autoridades locais e os elementos criminosos nem sempre era clara.
A cidade também é conhecida por sua próspera comunidade judaica, da qual Yermolaiev era um membro proeminente e ativo.
Yermolaiev deixou seu país natal e renunciou à sua cidadania ucraniana em 2019.
De acordo com documentos publicamente disponíveis, o homem de 58 anos é agora cidadão de Chipre, embora fosse residente de Mônaco.
As autoridades locais se recusaram a nomear as vítimas publicamente, dizendo apenas que a vítima masculina adulta era residente de Mônaco desde pelo menos 2021.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia disse em um comunicado que, “de acordo com os serviços de emergência locais”, as três pessoas que ficaram feridas na explosão eram membros de “uma família de origem ucraniana”.
Yermolaiev e outras duas pessoas – uma mulher e uma criança – ficaram gravemente feridos por uma bomba que foi deixada na residência de Yermolaiev por um suspeito desconhecido apenas alguns momentos antes de explodir.
Suspeito ainda foragido
A caçada transfronteiriça continua “muito ativamente” por todo o Mônaco e com o apoio das autoridades francesas, disse o procurador-geral de Mônaco, Stéphane Thibault, na quarta-feira (1).
Um cidadão estrangeiro foi detido em Mônaco na manhã de quarta-feira e colocado sob custódia policial, mas “essa medida foi suspensa” à tarde, de acordo com Thibault.
Thibault sugeriu que a identidade do suspeito ainda não é conhecida, dizendo que o “exame de todas as evidências está em andamento, particularmente em relação ao dispositivo explosivo e à identificação da pessoa que o colocou no local”.
Ele acrescentou que uma vítima com ferimentos menos graves foi entrevistada na França, mas as outras duas vítimas “não estão em condições de serem interrogadas”.
O ataque de segunda-feira foi tão incomum e ultrajante que deixou a exclusiva cidade-estado litorânea em estado de choque.
O ministro de Estado de Mônaco, Christophe Mirmand, disse em um comunicado que um ataque desse tipo nunca havia acontecido ali antes.
A identidade da mulher e da criança permanece desconhecida. A esposa de Yermolaiev falou à emissora pública ucraniana Suspilne na terça-feira (30), dizendo que não estava em casa no momento do ataque e não ficou ferida.
A cidade abriga muitos milionários e celebridades. Em Mônaco, o crime é virtualmente inexistente, o direito à privacidade é reverenciado e o regime fiscal é extremamente generoso.
A versão ucraniana da revista Forbes citou Yermolaiev dizendo que renunciou à sua cidadania ucraniana porque queria “proteção internacional”.
“O sistema judicial ucraniano, para dizer o mínimo, não é perfeito, e o sistema tributário não é objetivo”, disse ele, segundo a Forbes.
Seu filho é um golpista condenado
O motivo da tentativa de assassinato permanece obscuro. Yermolaiev não tem nenhuma ligação óbvia com a guerra na Ucrânia.
Ele foi sancionado por Kiev em dezembro de 2023 por fazer negócios na Crimeia ocupada pela Rússia, uma alegação que ele negou em uma entrevista à mídia ucraniana.
No entanto, o filho de Yermolaiev, Artur Yermolayev, é uma figura conhecida no cenário criminoso ucraniano.
Ele foi preso em Chipre sob a alegação de que era o líder de um amplo esquema de fraude. Mais tarde, ele foi extraditado para a Estônia, onde foi condenado por fraude em abril.
De acordo com documentos judiciais, Artur Yermolayev se declarou culpado de criar e administrar um esquema de golpes por telefone que, sob o disfarce de falsas oportunidades de investimento, roubou cerca de 100 milhões de euros (cerca de R$ 592 milhões, na cotação atual) de vítimas de vários países europeus entre 2019 e 2022.
Apenas na Estônia, Yermolayev e seus associados roubaram 5,4 milhões de euros (cerca de R$ 31 milhões, na cotação atual).
Ele foi condenado a cinco anos de prisão, mas chegou a um acordo pelo qual foi deportado da Estônia após cumprir apenas quatro meses da pena.
Ele pagou uma multa de 8,5 milhões de euros (cerca de R$ 50,32 milhões, na cotação atual) e os custos associados à sua extradição para a Estônia. De acordo com a mídia estoniana, ele foi deportado para Israel.
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