Análise: conexão entre guerras na Europa e no Oriente Médio pode ser benéfica para o Irã
Professor de relações internacionais, Augusto Teixeira explica como alianças estratégicas e interesses militares interligam os conflitos
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu nesta terça-feira (28) com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para debater as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
De acordo com o professor de relações internacionais, Augusto Teixeira, a reaproximação entre Zelensky e Trump acontece em meio aos “sucessos que a Ucrânia está mostrando, em particular nos últimos meses, não apenas no campo de batalha dentro da própria Ucrânia, mas também com a campanha de fogos em profundidade contra, por exemplo, navios da chamada frota fantasma russa, que faz aí um contrabando ou tenta evadir das sanções americanas, especialmente o que concerne a petróleo”.

A possibilidade de conexão entre os dois conflitos também ganhou força após a destruição de um navio iraniano por forças ucranianas no mar Cáspio. “Antes, inclusive, da destruição ou da obliteração desse cargueiro no mar Cáspio, ocorre a suspeita de que China e, em particular, Rússia estão fornecendo para o Irã dados satelitais, informações precisas para o processo de aquisição de alvos dos mísseis e drones iranianos contra, em particular, bases militares americanas e instalações da CIA no Oriente Médio”, explica.
Para o especialista, essa colaboração pode fortalecer as tensões e aproximar ainda mais os dois tabuleiros geopolíticos. Além disso, a China também atua como uma fornecedora indireta de componentes tecnológicos para Rússia e Irã, ampliando as conexões entre os conflitos.
“A confluência desses dois tabuleiros geopolíticos não é muito positiva, nem para os Estados Unidos e muito menos para a Ucrânia. Já para o Irã, pode ser algo interessante”, avalia.
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As eleições em Israel e nos Estados Unidos, que ocorrerão no segundo semestre do ano, também influenciam as decisões relacionadas aos conflitos. “No caso do Israel, que terá eleições agora em outubro, a guerra contra o Irã é algo importante, mas a guerra contra o Hezbollah no Líbano é ainda mais urgente pela ameaça territorial contínua ao Estado israelense.”
Por outro lado, a proximidade das eleições de meio de mandato aumenta a pressão sobre Trump, que precisa equilibrar os interesses estratégicos dos Estados Unidos com os custos políticos e militares de um aprofundamento do conflito contra o Irã.
“Tanto para democratas como para republicanos, a guerra no Irã é muito mal vista. E, de um lado, o Netanyahu pressiona pela continuidade das ações naquilo que, para os americanos, é importante, que é a desnuclearização do Irã, mas, por outro, Trump cada vez mais se vê em uma enrascada e ansioso para sair dela. A grande questão é como ele fará”, conclui.
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