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Restaurante colocou formigas comestíveis no cardápio. Agora, dono pode enfrentar até um ano de prisão

Estabelecimento sul-coreano com duas estrelas Michelin utilizou, em sobremesa, inseto que não pode ser servido para consumidores no país

Internacional|Gawon Bae, Yoonjung Seo e Chris Lau, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O proprietário de um restaurante sul-coreano com duas estrelas Michelin enfrenta multa e até um ano de prisão por usar formigas em sobremesas, violando leis alimentares locais.
  • As formigas importadas continham níveis de metais pesados 55 vezes acima do permitido, o que agravou a acusação sob a Lei de Segurança Sanitária dos Alimentos.
  • O uso de insetos comestíveis está em crescimento global, mas na Coreia do Sul, apenas 10 espécies são permitidas para consumo humano sem autorização especial.
  • Os advogados do restaurante alegam que o uso de formigas era para adicionar acidez, sem perceber a proibição local, e que a presença do ingrediente estava indicada no cardápio.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Formiga comestível de produção norte-americana
Formiga comestível de produção norte-americana que teria sido usada no restaurante da Coreia do Sul Ministry of Food and Drug Safety via CNN Newsource

O proprietário de um restaurante da Coreia do Sul com duas estrelas Michelin está enfrentando uma pesada multa e pode pegar até um ano de prisão por decorar uma sobremesa de sorbet com formigas.

O problema não é o fato de insetos aparecerem no cardápio.


A questão está nas complexas leis alimentares da Coreia do Sul, que regulamentam quais insetos podem ser servidos aos consumidores.

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Como é comum na Coreia do Sul, o Ministério Público não divulgou o nome do restaurante nem do proprietário. As autoridades informaram à CNN que o estabelecimento serve formigas secas importadas dos Estados Unidos e da Tailândia desde 2021.


Segundo a acusação, o restaurante teria servido cerca de 49 mil formigas em 12.200 porções de sorbet.

Embora tenha sido o chef quem preparou a sobremesa e a incluiu no cardápio, os promotores denunciaram o proprietário por violação da Lei de Segurança Sanitária dos Alimentos. Não está claro se o chef também é o dono do restaurante.


De acordo com o governo, o problema não era apenas a presença de formigas nos alimentos. O Ministério da Segurança de Alimentos e Medicamentos informou que os investigadores constataram que as formigas utilizadas pelo restaurante continham níveis de metais pesados de até 55 vezes acima do limite máximo permitido para outros insetos comestíveis.

Os promotores pediram que o tribunal aplique uma multa de 20 milhões de wones (cerca de US$ 13.580) ao restaurante, citando um lucro estimado de 120 milhões de wones (aproximadamente US$ 81.470) obtido nos últimos quatro anos.


A sentença está prevista para ser anunciada em setembro.

Defensores na Coreia do Sul e em outros países argumentam cada vez mais que os insetos são uma fonte de proteína tão confiável quanto outros produtos de origem animal. Como podem ser criados e colhidos com muito menos recursos do que os exigidos pela pecuária tradicional, eles são vistos como uma alternativa eficiente no combate às mudanças climáticas.

A culinária sul-coreana não tem aversão a insetos. O beondegi, por exemplo, é um tradicional petisco de pupas de bicho-da-seda cozidas no vapor, vendido por ambulantes em copos de papel.

No entanto, a legislação do país permite apenas o consumo humano de 10 espécies de insetos, incluindo gafanhotos e bichos-da-seda. Qualquer outro inseto — como as formigas — exige autorização especial das autoridades.

De acordo com a imprensa local, os advogados do restaurante afirmaram que o chef utilizava as formigas para adicionar acidez ao prato, sem perceber que uma receita que já havia usado nos Estados Unidos e na Europa era proibida pela legislação sul-coreana.

Eles também argumentaram que apenas cerca de 60% dos clientes recebiam a versão com formigas e que a presença do ingrediente estava claramente indicada no cardápio.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) publicado em 2013, pelo menos dois bilhões de pessoas em todo o mundo já consumiam insetos diariamente.

Os grupos de insetos mais consumidos globalmente incluem formigas, besouros, abelhas, lagartas, cigarras, grilos, libélulas, moscas, gafanhotos, percevejos, locustas, cochonilhas, cupins e vespas, de acordo com a FAO.

A tendência ganhou força na Europa e nos Estados Unidos nos últimos anos. Um relatório da consultoria Global Market Insights havia projetado que o mercado norte-americano de insetos comestíveis alcançaria quase US$ 80 milhões, enquanto a Europa também registrava crescimento no setor.

Entre os principais defensores dos insetos comestíveis no Ocidente está o chef nova-iorquino Joseph Yoon, diretor-executivo da organização Brooklyn Bugs, que busca mudar a percepção dos consumidores sobre os insetos. Como chef convidado e ativista da causa, Yoon já preparou pratos como tempurá de tarântula e pipoca caramelizada com gafanhotos.

Em Copenhague, o restaurante Alchemist, também detentor de duas estrelas Michelin e atualmente classificado em 5º lugar na lista The World’s 50 Best Restaurants, trabalhou com cientistas para fermentar produtos lácteos utilizando formigas vivas e congeladas. A colaboração resultou em um popular “ant-wich”, um sanduíche de sorvete servido entre biscoitos em formato de formiga e acompanhado por um gel infundido com formigas.

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