Rússia convoca embaixador espanhol por fala de ministro
Em novembro do ano passado, Borrell se reuniu com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, que também foi recebido pelo rei Felipe VI
Internacional|Da EFE

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou nesta terça-feira (28) o embaixador da Espanha no país, Fernando Valderrama, para manifestar surpresa e decepção com declarações dadas pelo ministro interino dos Assuntos Exteriores de Espanha, Josep Borrell, em entrevista concedida na última quinta-feira (23) ao jornal El Periódico.
O governo russo disse em comunicado que as afirmações foram "inamistosas" e representam "um prejuízo para as relações entre a Rússia e a Espanha".
Na entrevista, em resposta a uma pergunta sobre o papel que a Europa deve desempenhar na nova composição geopolítica, Borrell afirmou que o "velho inimigo, a Rússia, volta a dizer: 'aqui estou eu', e volta a ser uma ameaça, e a China aparece como uma rival".
Por estas declarações, o ministério russo, dirigido por Sergei Lavrov, manifestou a Valderrama "a surpresa e decepção pelas declarações inamistosas do ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação interino, Josep Borrell, em relação à Rússia", diz a nota oficial.
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O ministério russo destacou também que as relações bilaterais são vistas pelas duas partes como "amistosas, de parceiros e mutuamente benéficas", o que ficou refletido em todos os documentos oficiais "assinados pelos dois países nos últimos tempos".
Fontes da embaixada da Espanha em Moscou confirmaram a reunião, que aconteceu por iniciativa do Primeiro Departamento da Europa e cujo diretor, Alexei Paramonov, foi quem transmitiu ao embaixador a postura da parte russa sobre as declarações de Borrell.
Na entrevista ao El Periódico, o ministro afirmou que "temos um novo mundo que não poderíamos imaginar há cinco anos".
"Trump não era presidente, não havia Brexit, não tínhamos tido a crise dos imigrantes, a guerra da Síria... Mudaram muitas coisas. O nosso aliado nos dá as costas. O nosso velho inimigo, a Rússia, volta a dizer: 'aqui estou eu', e volta a ser uma ameaça, e a China aparece como um rival", declarou.
"Isso é o que torna mais urgente e mais necessário que os europeus unam suas forças. Agora temos que aprender a trabalhar com uma lógica de potência, porque vivemos em um mundo de potências. Não temos o guarda-chuva protetor americano, estávamos debaixo dele, e, como diz Trump, de alguma forma viajávamos grátis em um sistema que os americanos pagavam. Um pouco de razão ele tem. Mas temos que ter um certo grau de autonomia estratégica", acrescentou o chanceler espanhol.
Em novembro do ano passado, Borrell se reuniu em Madri com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, que também foi recebido pelo rei Felipe VI.









