Rússia descarta possível intervenção nos assuntos internos da Ucrânia
Internacional|Do R7
Moscou, 26 fev (EFE).- A Rússia descartou nesta quarta-feira a possibilidade de interferir nos assuntos internos da Ucrânia, onde a população na península pró-russa da Criméia questiona a legitimidade das novas autoridades em Kiev. "A Rússia declarou e insiste em sua postura sobre que não temos direito e não podemos nos intrometer nos assuntos internos de um Estado soberano", disse a presidente do Senado russo, Valentina Matvienko. Suas declarações praticamente coincidiram com as acusações de três ex-presidentes da Ucrânia, Leonid Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko, que denunciaram a intervenção da Rússia nos assuntos internos ucranianos, em particular na Criméia. "A Rússia, que todo o tempo tacha de 'ingerência' nos assuntos internos da Ucrânia os esforços de nossos parceiros internacionais por normalizar a situação por meios pacíficos, recorre agora à intervenção direta na vida política na Criméia", afirmaram os ex-presidentes em uma declaração conjunta. Segundo eles, as "ideias" dos representantes da Duma (Câmara dos Deputados da Rússia) em torno da convocação de um referendo sobre a unificação da Criméia à Rússia "devem ser consideradas como chamadas a destruição da ordem constitucional e da integridade territorial da Ucrânia" Valentina, por sua vez, chamou de "inoportuna" a iniciativa proposta recentemente pelo ultranacionalista Partido Liberal Democrático da Rússia, que queria facilitar a concessão de cidadania russa para os russos que vivem na Ucrânia. "Essa lei agora é inoportuna, não devemos dar a ninguém argumentos para (alimentar) tendências separatistas", apontou. No entanto, "em um futuro, pensaremos nisso sem dúvida. Não podemos ignorar o destino dos cidadãos russoparlantes da Ucrânia, que só na Criméia são 60%" da população, completou a presidente do Senado russo. Alguns analistas alertam sobre a possibilidade das regiões orientais pró-russia proclamarem desobediência às novas autoridades e iniciarem um processo separatista após a destituição de Viktor Yanukovich como presidente. Valentina reiterou a postura do Kremlin de que Yanukovich, ainda em paradeiro desconhecido, é o legítimo chefe de Estado. "Quando todos os procedimentos legítimos da destituição do presidente forem cumpridos, ele deixará de ser presidente legítimo", completou a presidente do Senado russo, Valentina Matvienko. EFE vm/fk










