Rússia respeita, mas evita reconhecer resultados de referendos na Ucrânia
Internacional|Do R7
Ignacio Ortega. Moscou, 12 mai (EFE).- A Rússia expressou nesta segunda-feira seu respeito, mas se absteve de reconhecer os resultados dos referendos realizados ontem nas regiões insurgentes pró-russas da Ucrânia, onde a arrasadora maioria dos eleitores apoiou a independência. "Moscou respeita a vontade popular expressada pelos moradores das regiões de Donetsk e Lugansk" (leste), informou o Kremlin em comunicado. Na mesma linha, declarou que o presidente russo, Vladimir Putin, que se distanciou na semana passada das consultas ao pedir seu adiamento, não opinará sobre tais referendos até que se conheçam os resultados definitivos. O Kremlin manifestou que "espera que a realização prática dos resultados do referendo se produza pela via pacífica, sem surtos de violência e através de um diálogo entre representantes de Kiev, Donetsk e Lugansk". Isto pode ser interpretado como uma chamada a Kiev ao diálogo, caso contrário ambas as regiões vizinhas da Rússia poderiam tornar realidade a vontade popular de milhões de pessoas, como ocorreu na península da Crimeia. Sobre isso, o governo acrescentou, que, "em interesse do diálogo, será dada as boas-vindas a qualquer esforço mediador, incluído através da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)". A Rússia defendeu desde a explosão da crise, no começo de abril, a reforma da Constituição a fim de transformar à Ucrânia em uma federação na qual as regiões orientais tenham mais competências e se reconheça o russo como idioma oficial. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, lembrou que Putin pediu na semana passada aos insurgentes pró-russos que adiassem a consulta, mas o grupo rejeitou a proposta. "Não lhes pediu, lhes fez uma recomendação levando, inclusive, em conta a autoridade do presidente russo, atendê-la era difícil", disse. O porta-voz do Kremlin explicou que "levando em consideração as ações militares (por parte de Kiev), os moradores (das regiões de Donetsk e Lugansk) estavam obrigados a seguir adiante com seus planos partindo da situação real". Por sua vez, destacou "a alta participação eleitoral, apesar das tentativas de abortar a votação", em alusão à ofensiva lançada pelas forças de Kiev nas fortificações pró-russos. "Condenamos o uso da força que está ocorrendo, incluído o uso de armamento pesado contra os cidadãos pacíficos, que deixou vítimas", indicou a nota do Kremlin. Nesse sentido, o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, acusou Kiev de recorrer ao exército para tentar sabotar a realização dos referendos separatistas. "Destacamos a alta participação eleitoral, apesar das tentativas de abortar a votação mediante a guerrilheiros ultrarradicais, com o exército e o emprego de armamento pesado contra cidadãos pacíficos", disse. Ele afirmou que a Rússia não considera oportuno realizar uma nova reunião internacional com a Ucrânia, Estados Unidos e a OSCE para a resolução do conflito no país vizinho. "Sem a inclusão dos opositores ao regime nas conversas diretas sobre a saída da crise nada sairá bem", disse Lavrov. A declaração hoje dos líderes separatistas de Donetsk e de Lugansk da independência da Ucrânia destes territórios e os planos de criar órgãos de poderes estatal e militar lembram o ocorrido em março na Crimeia. A imagem e semelhança do que aconteceu nessa península, os pró-russos advertiram que, uma vez proclamada a independência, as unidades militares ucranianas serão consideradas forças ocupantes. Em poucas semanas, a Crimeia fechou a fronteira, assediou as bases militares leais a Kiev, realizou um referendo, proclamou sua independência e pediu a entrada na Federação Russa, que foi aceita por Putin em 21 de março. EFE io/cdr (foto)












