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Saiba o que foi o caso Dreyfus, citado pela defesa de Bolsonaro em julgamento

Capitão judeu Alfred Dreyfus foi acusado injustamente em 1894 de entregar documentos secretos franceses ao Império Alemão

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Julgamento de Jair Bolsonaro reacende lembranças do caso Dreyfus, escândalo da França no final do século 19.
  • A defesa de Bolsonaro compara as acusações contra ele a uma versão moderna do caso Dreyfus, que envolveu injustiças judiciais.
  • Alfred Dreyfus foi condenado por traição após um julgamento controverso, resultando em sua prisão perpétua.
  • Pressão pública posteriormente levou à sua inocência e reconhecimento, mostrando a relevância contínua do caso na história francesa.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Capitão Alfred Dreyfus em imagem de 1895, após ser condenado pela Justiça francesa por traição Reprodução/parisjetaime.com

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3) reacendeu a lembrança de um dos episódios mais polêmicos da história da França. A defesa do ex-presidente e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compararam o processo que apura tentativa de golpe de Estado ao “caso Dreyfus”, escândalo que marcou a virada do século 19 para o 20.

Um dos advogados do ex-presidente, Paulo Cunha Bueno, afirmou que a ação contra Bolsonaro representa uma “versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus”, alegando que “faltam elementos que possam imputar ao presidente Jair Bolsonaro os delitos que lhe são direcionados na denúncia”. Bolsonaro é acusado de cinco crimes: liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.


Flávio Bolsonaro escreveu em rede social que “Jair Bolsonaro é o novo Caso Dreyfus, um dos maiores escândalos de erro judiciário no mundo” e acrescentou que “a História vai colocar os perseguidores em seu devido lugar”.

O caso original envolveu o capitão judeu Alfred Dreyfus, acusado em 1894 de entregar documentos secretos franceses ao Império Alemão. O julgamento militar ocorreu a portas fechadas e resultou em sua condenação por traição. Ele foi enviado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. O episódio teve como pano de fundo o antissemitismo em ascensão na França e o revanchismo contra a Alemanha após a perda da Alsácia-Lorena em 1871.


A condenação dividiu o país. Em 1898, o escritor Émile Zola publicou no jornal L’Aurore a carta aberta “J’accuse”, na qual denunciava a injustiça e nomeava os oficiais que incriminaram Dreyfus. O texto mobilizou intelectuais, jornalistas e artistas. Entre os que se manifestaram estavam Claude Monet e Marcel Proust. A pressão pública levou a novas investigações, que revelaram provas forjadas e apontaram o comandante Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy como verdadeiro culpado.

Em 1906, a Suprema Corte francesa anulou a condenação e declarou Dreyfus inocente. Ele foi reintegrado ao Exército e recebeu a Legião de Honra. No entanto, sua carreira havia sido interrompida e ele deixou as Forças Armadas no ano seguinte, antes de voltar a servir durante a Primeira Guerra Mundial.


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Mais de um século depois, o caso continua a ser discutido na França. Em 2006, o então presidente Jacques Chirac reconheceu que a justiça não havia sido feita plenamente. Em 2021, Emmanuel Macron defendeu que a memória de Dreyfus fosse preservada. Em 2024, deputados aprovaram por unanimidade a promoção póstuma do militar ao posto de general de brigada.

A história também chegou ao cinema. O longa “O Oficial e o Espião”, dirigido por Roman Polanski em 2020, trouxe Jean Dujardin no papel principal e reconstituiu os bastidores do episódio.

Perguntas e Respostas

 

O que é o caso Dreyfus mencionado na defesa de Jair Bolsonaro?

 

O caso Dreyfus refere-se a um episódio histórico que ocorreu na França no final do século 19, envolvendo o capitão judeu Alfred Dreyfus, que foi acusado em 1894 de traição ao supostamente entregar documentos secretos franceses ao Império Alemão. O julgamento foi realizado a portas fechadas e resultou em sua condenação, levando-o a ser enviado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

 

Como a defesa de Jair Bolsonaro se relaciona com o caso Dreyfus?

 

A defesa de Jair Bolsonaro, durante seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), comparou o processo que ele enfrenta à situação de Dreyfus. O advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que a ação contra Bolsonaro é uma "versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus", alegando que não há provas suficientes para sustentar as acusações contra o ex-presidente.

 

Quais são as acusações contra Jair Bolsonaro?

 

Jair Bolsonaro é acusado de cinco crimes: liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

 

O que Flávio Bolsonaro disse sobre a comparação com o caso Dreyfus?

 

Flávio Bolsonaro, em uma rede social, afirmou que "Jair Bolsonaro é o novo Caso Dreyfus, um dos maiores escândalos de erro judiciário no mundo", e acrescentou que "a História vai colocar os perseguidores em seu devido lugar".

 

Qual foi o desfecho do caso Dreyfus?

 

Após anos de controvérsia e pressão pública, em 1906, a Suprema Corte francesa anulou a condenação de Dreyfus e declarou-o inocente. Ele foi reintegrado ao Exército e recebeu a Legião de Honra, embora sua carreira já tivesse sido severamente prejudicada.

 

Como o caso Dreyfus é lembrado atualmente?

 

Mais de um século após os eventos, o caso Dreyfus ainda é discutido na França. Em 2006, o então presidente Jacques Chirac reconheceu que a justiça não havia sido plenamente feita. Em 2021, Emmanuel Macron defendeu a preservação da memória de Dreyfus, e em 2024, deputados aprovaram a promoção póstuma do militar ao posto de general de brigada.

 

O caso Dreyfus teve adaptações na cultura popular?

 

Sim, o caso Dreyfus foi adaptado para o cinema, sendo retratado no longa "O Oficial e o Espião", dirigido por Roman Polanski em 2020, que reconstituiu os bastidores do episódio.

 

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