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Síria ameaça responder ataques de Israel; temor de conflito regional

Internacional|Do R7

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O regime sírio afirmou nesta segunda-feira que escolherá o momento certo para responder aos ataques israelenses contra seu território, que deixaram 42 mortos e provocaram temores de um conflito regional.

A ONU e a Rússia, um dos poucos aliados do presidente sírio Bashar al-Assad, advertiram para o perigo de uma escalada regional após os ataques aéreos israelenses contra posições militares sírias na sexta-feira e no domingo perto de Damasco. A situação ficou ainda mais tensa após as promessas de apoio ao regime feitas pelo Irã e pelo Hezbollah libanês, as outras duas grandes bases de apoio do regime sírio.

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Essas preocupações estarão no centro de uma reunião que deve ser realizada na terça entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o presidente Vladimir Putin em Moscou.

Outra fonte de preocupação é o suposto uso de armas químicas.

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No entanto, a comissão de investigação internacional independente sobre a Síria, patrocinada pela ONU, afirmou nesta segunda-feira, em um comunicado, que "não alcançou os resultados que lhe permitam concluir que foram utilizadas armas químicas pelas partes em conflito".

"Consequentemente e até o momento, a Comissão não está em posição de comentar estas alegações", acrescenta a comissão neste comunicado, que aparentemente refuta as declarações à imprensa de um de seus membros, a promotora suíça Carla del Ponte, que falou sobre a utilização de gás sarin pelos rebeldes.

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Carla del Ponte - que em seus mandatos anteriores, sobretudo quando era promotora do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), se destacou por suas declarações radicais à imprensa - havia afirmado no domingo à noite, em italiano diante das câmeras da televisão pública suíça de Tesino, que havia visto um relatório "sobre testemunhos obtidos relativos à utilização de armas químicas, em particular gás sarin, pelos opositores, e não pelo governo".

Falou de "fortes suspeitas, de suspeitas concretas" e considerou que não é surpreendente que os rebeldes tenham utilizado gás sarin, "já que há combatentes estrangeiros que se infiltraram entre os opositores".

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Em um primeiro registro do ataque de domingo, uma ONG indicou ao menos 42 soldados sírios mortos e uma centena de desaparecidos.

"A Síria responderá à agressão israelense, mas escolherá o momento de fazê-lo. Isto talvez não ocorra imediatamente, já que Israel está em estado de alerta", disse à AFP nesta segunda-feira um líder político sírio ligado ao poder, contatado por telefone. Ele concluiu: "Vamos esperar, mas responderemos".

Para Damasco, estas agressões abrem a porta para todas as opções e fazem com que a situação na região seja mais perigosa. A televisão síria advertiu que "os mísseis sírios estão preparados para atacar alvos precisos em caso de violação".

Diante do temor de eventuais represálias, Israel anunciou a mobilização de duas baterias antimísseis no norte do país, ordenou o fechamento do espaço aéreo nesta zona até a noite desta segunda-feira e reforçou as medidas de segurança em suas embaixadas em todo o mundo.

Um alto funcionário israelense afirmou que os ataques tiveram como alvo um depósito de munições iranianas destinadas ao Hezbollah, movimento xiita libanês, protegido do Irã e aliado do regime de Bashar al-Assad.

No entanto, Teerã desmentiu que existissem armas iranianas nos alvos bombardeados por Israel, e ameaçou Israel com "acontecimentos graves na região dos quais nem os Estados Unidos nem Israel sairão vencedores".

No dia 30 de abril, o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou que seu movimento e o Irã não permitirão a queda de Assad.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que "todas as partes tenham o máximo de calma e moderação".

Moscou considerou que os ataques israelenses podem provocar uma escalada, com o risco de que surjam focos de tensão nos países vizinhos, em particular no Líbano.

Segundo o Kremlin, o presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que está na China. Ele deve se reunir na terça com o chefe da diplomacia americana.

O primeiro-ministro russo, Serguei Lavrov, telefonou para o seu colega sírio, Walid Moualem. De acordo com a agência oficial síria Sana, Lavrov expressou sua preocupação com "acontecimentos fora do controle".

A China, aliada do regime de Damasco, se juntou às críticas.

A União Europeia também manifestou seu temor de que o conflito se propague, e pediu para que "a estabilidade da região, que já é precária, não seja colocada em perigo".

Desde o início do conflito interno sírio, em março de 2011, Israel efetuou três ataques contra alvos perto de Damasco, no dia 30 de janeiro e nos dias 3 e 5 de maio.

Mais de 70.000 pessoas morreram na Síria desde o início da revolta, que se transformou em uma guerra civil devido à brutal repressão realizada pelo regime de Assad.

As informações desencontradas imperam sobre o uso de armas químicas.

Washington afirmou não ter informações sobre o uso de armas químicas pelos rebeldes, enquanto o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, assegurou não ter informações sobre quem recorreu ao uso de armas químicas.

A oposição síria, Israel e países ocidentais haviam acusado o regime de utilizar esse tipo de armamento.

Nesta segunda, a Coalizão opositora afirmou que tomará as medidas cabíveis se for provado que rebeldes utilizaram armas químicas, se dizendo-se convencida de que apenas o regime possui esse tipo de armamento.

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