Taliban paquistanês pede que Malala volte ao país
Internacional|Do R7
PESHAWAR, Paquistão, 17 Jul (Reuters) - Um comandante do Taliban paquistanês escreveu à jovem ativista Malala Yousafzai dizendo lamentar o atentado que ela sofreu no ano passado e pedindo que ela volte ao seu país.
Malala, de 16 anos, que fazia campanha pelo acesso de meninas à educação, foi baleada à queima-roupa em outubro por militantes do Taliban quando saía da escola, no vale do Swat, nordeste paquistanês.
Ela foi levada para tratamento médico na Grã-Bretanha e não voltou mais ao Paquistão por causa das constantes ameaças do Taliban. Na semana passada, ela proferiu na Organização das Nações Unidas (ONU) um eletrizante discurso em que disse que a caneta é mais forte que a espada.
Em um texto inflamado e denso, cheio de referências a filósofos e políticos, o comandante Adnan Rasheed disse que, se pudesse, teria pedido a ela para "evitar as atividades anti-Taliban", pois assim seria poupada do atentado.
"Todas as minhas emoções por você foram fraternas, porque pertencemos à mesma tribo Yousafzai", escreveu ele na carta em inglês, datada de segunda-feira e confirmada como autêntica pelo Taliban.
"Quando você foi atacada, foi chocante para mim. Eu gostaria que isso nunca tivesse acontecido e que eu tivesse aconselhado você antes."
"No fim, aconselho você a voltar para casa", escreveu Rasheed, acrescentando que ela deveria se matricular em uma escola islâmica feminina e "usar sua caneta pelo Islã".
O Taliban assumiu a autoria pelo atentado contra Malala, que também feriu duas colegas dela.
(Por Maria Golovnina)












