TPII condena a 22 anos de prisão dois antigos funcionários servo-bósnios
Internacional|Do R7
Haia, 27 mar (EFE).- O Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) condenou nesta quarta-feira a 22 anos de prisão os ex-funcionários servo-bósnios Mico Stanisic e Stojan Zupljanin por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos contra muçulmanos e croatas durante a guerra da Bósnia, em 1992. O juiz Burton Hall considerou que os dois acusados "erraram" em sua "responsabilidade legal de proteger a população civil independentemente de sua religião e caráter étnico". Segundo os juízes, como ministro sérvio do Interior da Bósnia-Herzegovina e responsável pela segurança pública e do Estado, Stanisic não "investigou" atos criminosos para que seus autores fossem punidos. Zupljanin, que era subordinado direto de Stanisic e o principal responsável pela polícia da região autônoma de Krajina (noroeste da Bósnia-Herzegovina), antes de se transformar em conselheiro do ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic, foi considerado uma "peça chave" na execução de crimes em cidades como Banja Luka. Com sua atitude, ambos "contribuíram de maneira substancial" para crimes cometidos nas zonas da Bósnia sob controle sérvio. Estas violações incluíram assassinato, perseguição, deportação, estupro de mulheres e tortura, em boa parte cometidos em centros de detenção para onde eram levados prisioneiros muçulmanos e servo-croata. Stanisic, no entanto, foi absolvido do crime de extermínio. A acusação apontou mais de 50 prisões, criadas pelas forças sérvias da Bósnia, onde os abusos eram cometidos, entre elas os campos de concentração de Omarska, Keraterm e Trnopolje. Nesses locais "batia-se até a morte nos prisioneiros, que eram mantidos em condições desumanas quanto a alimentação, saúde e higiene", segundo o juiz que presidiu o caso. Tudo isso aconteceu durante uma "campanha sistemática de violência e intimidação" contra a população não sérvia da Bósnia, constatou o magistrado. A campanha terminou com a "morte e a deportação forçada" de milhares de pessoas, afirmou o juiz durante a leitura da decisão. EFE mr/dk










