Transexual retira candidatura à Câmara dos Deputados por não poder usar seu novo nome na cédula
A chilena Valentina Verbal teria seu nome legal, Gonzalo Verbal, escrito nas cédulas de voto
Internacional|Do R7

Uma historiadora transexual que tentava a candidatura à Câmara dos Deputados para as eleições que serão realizadas no Chile no dia 30 de junho se retirou do processo nesta quarta-feira (22) depois que as autoridades eleitorais rejeitaram o uso de seu novo nome.
Segundo o Serviço Eleitoral (Servel) e o Tribunal Eleitoral (Tricel), ao qual a historiadora recorreu depois da recusa, na cédula deve constar o seu nome legal, Gonzalo Verbal, e não Valentina Verbal, como é publicamente conhecida desde que se submeteu a uma operação de mudança de sexo há cinco anos.
A historiadora disse perante os jornalistas que ninguém a conhece por seu verdadeiro nome e, por isso, que considerou inviável continuar com sua candidatura.
— Acho que tanto por uma perspectiva ética quanto de direitos humanos, as pessoas têm direito ao respeito da sua identidade pessoal no tratamento de parte dos organismos públicos.
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Valentina ia concorrer nas eleições pelo Partido de Renovação Nacional (RN), depois de ganhar a candidatura no distrito número 19, que abrange os municípios de Recoleta e Independencia, dentro da capital chilena.
Para a historiadora, o Tricel não se pronunciou sobre o assunto e declarou sua recusa no dia 4 de maio segundo a qual as reivindicações só podem ser feitas pelos partidos políticos e não pelos candidatos pessoalmente.
No entanto, disse que outra resolução, de abril de 2012, autorizava as reivindicações pessoais, e afirmou que seu caso foi consultado previamente pelo RN e a resposta foi que era permitido, o que lhe foi confirmado telefonicamente pela secretária do Tribunal.
Com tais argumentos, denunciou a "má fé" do Tribunal e acusou ambos os organismos de transgredirem a lei e as normas do direito internacional, por isso irá recorrerá à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), denunciando a "discriminação estatal" por identidade de gênero.
A legislação "permite o que solicitei. Houve discriminação pura e dura", escreveu Valentina Verbal em sua conta no Twitter.
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