Tribunal internacional cambojano julga cúpula do Khmer Vermelho
Internacional|Do R7
Jordi Calvet. Bangcoc, 20 dez (EFE).- O tribunal internacional do Camboja abriu caminho em 2013 para definir o caso contra os ex-líderes do Khmer Vermelho, Nuon Chea e Khieu Samphan, que insistem em rejeitar os crimes contra a humanidade dos quais são acusados no final de um processo de dois anos. No último mês de outubro, o antigo chefe de Estado do regime, Khieu Samphan, de 82 anos, e o ideólogo e número dois da organização, Nuon Chea, de 87, fecharam com suas declarações a primeira parte do julgamento, cuja sentença deve ser conhecida na primeira metade de 2014. Esta fase do processo esteve centrada na evacuação forçada de Phnom Penh e a deportação da população urbana a campos de trabalho em zonas rurais, assim como a execução de soldados republicanos após a tomada do poder por parte do Khmer Vermelho em 1975. Os dois acusados defenderam sua inocência assegurando que nem conheciam nem ordenaram estes crimes pelos quais a procuradoria solicitou a prisão perpétua. "Ao longo deste julgamento, indiquei que não estive envolvido em nenhuma comissão de crimes como alega a procuradoria, sou inocente em relação a essas acusações", disse Nuon Chea em seu discurso final perante os juízes no dia 31 de outubro. Nuon Chea explicou que só foi consciente dos abusos do Khmer Vermelho após a queda do regime em 1979 e responsabilizou os oficiais de segunda categoria terem ocultado as crises de fome e de terem imposto trabalhos forçados ou execuções arbitrárias. "Sinceramente, peço perdão ao público, às vítimas. Sustento que sou responsável moralmente pela perda de controle do PCK", declarou o octogenário ex-dirigente. Por sua parte, Khieu Samphan se amparou no papel institucional que exerceu a partir de 1976 para rejeitar as acusações. "Eu nunca quis ou decidi a evacuação de povoações nem planejei ou decidi o massacre de gente inocente (...) Nunca participei dos planos que depois fizeram as pessoas sofrer. Nunca, nunca fui parte desses planos", disse Samphan. "Minha consciência e minhas convicções políticas naquele tempo eram proteger o fraco para construir um Camboja forte, independente, próspero e em paz", concluiu Samphan. Os dois ex-dirigentes também recriminaram o tratamento do tribunal auspiciado pelas Nações Unidas, o qual acusaram de não ter lhes garantido um "julgamento justo". Nuon Chea pediu sua libertação imediata após denunciar que seus advogados não puderam realizar uma investigação independente e que o tribunal rejeitou o comparecimento de testemunhas importantes para sua defesa, entre eles, vários membros do atual governo cambojano que pertenceram ao Khmer Vermelho. Após deixar o caso pronto para sentença, o tribunal iniciou os trâmites para abordar a parte seguinte do julgamento na qual os dois ex-líderes enfrentam acusações de genocídio, assassinato, tortura e perseguição por razões religiosas e de raça. O tribunal dividiu em várias partes a causa contra os ex-dirigentes em razão de sua idade avançada, por receio que morressem antes que terminasse o processo. Quando começou, há dois anos, também estavam acusados Ieng Sary, ministro das Relações Exteriores do regime, e sua esposa, Ieng Thirith, ministra de Assuntos Sociais. Sary morreu em março aos 87 anos e o caso contra Thirith foi suspenso em 2012 depois que tivesse sido diagnosticada com Alzheimer. Em junho também morreu, aos 76 anos, Sou Met, o ex-chefe das Forças Aéreas que, junto com o comandante das Forças Navais, Meas Mut, figurava como acusado de uma terceira causa que o tribunal pretende abrir apesar da oposição do Executivo cambojano. Até o momento o tribunal concluiu apenas um caso, no qual condenou a prisão perpétua Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch", ex-diretor do centro de detenção S-21, no qual foram torturadas mais de 16 mil pessoas. O chefe do Khmer Vermelho, Pol Pot, morreu na selva cambojana em 1998, prisioneiro de seus próprios correligionários. EFE jcp/rsd








