Tropas dos EUA no Iraque voltam à Síria após decisão do Pentágono
Retorno é para impedir que campos de petróleo da região voltassem a ser controlados por integrantes do grupo terrorista Daesh
Internacional|Da EFE

Tropas dos Estados Unidos que se retiraram do norte da Síria antes da ofensiva da Turquia contra milícias curdas que controlavam a área voltaram ao leste do país após decisão anunciada ontem pelo Pentágono.
A opção por manter uma "presença reduzida" na região foi uma forma que o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, viu de evitar que campos de petróleo da região voltassem a ser controlados por integrantes do grupo terrorista Daesh.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que um comboio militar americano entrou na madrugada deste sábado (26) no território da Síria através da passagem de Semalka, a única oficial e controlada pelas milícias curdas, não reconhecidas pelo governo de Bashar al Assad. O caminho leva até a província de Deir ez Zor, no leste do país e perto da fronteira com o Iraque.
Leia também

Trump sugere que curdos se mudem para região petrolífera da Síria

Rússia diz que forças curdas estão saindo da fronteira turco-síria

Tropas dos EUA não são bem-vindas, diz embaixador da Síria no Brasil

Turquia e EUA chegam a acordo para cessar-fogo no norte da Síria

Tropas dos EUA voltam a posto no norte da Síria, dizem curdos
O comboio, composto de dezenas de veículos com equipamentos militares e logísticos, terá como objetivo, segundo o Pentágono, "impedir o acesso do Daesh às receitas do petróleo, como reposicionamento da fase seguinte da campanha contra o grupo".
O diretor do grupo Deir ez Zor 24, Omar Abu Leila, afirmou no Twitter que helicópteros sobrevoaram a região para proteger o comboio. O ativista, que está fora da Síria, mas mantém uma ampla rede de contatos no país, divulgou fotos e uma filmagem que mostram os 13 veículos blindados americanos cruzando a fronteira.
Questionado pela Agência Efe sobre o retorno à Síria, o Pentágono não quis dar detalhes sobre a operação por "motivos de segurança".
A entrada das tropas americanas em Deir ez Zor ocorre enquanto milícias leais a Assad e tropas da Rússia se dirigem para o norte do país para proteger os curdos da ofensiva da Turquia e supervisionar um acordo para retirá-los de uma faixa próxima à fronteira turca.
O pacto foi firmado entre os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin, durante um recente encontro em Sochi.
Saída da Síria
Há duas semanas, a Casa Branca anunciou que retiraria as tropas americanas da Síria. Dias depois, a Turquia iniciou uma ofensiva contra os curdos, considerados pelo governo de Erdogan como terroristas.
Os principais campos de petróleo da Síria estão no nordeste do país, áreas controladas pelos curdos. As milícias deixaram algumas dessas regiões, que formam a chamada "zona de segurança" de Erdogan, que vai desde Ras al Ain até Tel Abiad. Esses territórios serão patrulhados por soldados russos e turcos após o acordo.
Deir ez Zor foi o último reduto do Estado Islâmico na Síria. O grupo perdeu o último território controlado na província no último dia 23 de março. Apesar disso, várias células ainda continuam ativas na região.











