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Turistas são investigados por pagar para matar civis durante a guerra da Bósnia

Promotoria de Milão apura denúncia de que cidadãos ricos desembolsaram até R$ 450 mil para fazer ‘safari humano’

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Promotores italianos investigam turistas por pagamento para atacar civis em Sarajevo durante a guerra da Bósnia.
  • Os suspeitos teriam pago até R$ 450 mil para participar de 'safáris humanos' entre 1992 e 1995.
  • A investigação revelou vínculos com grupos de extrema direita e a prática de disparos deliberados contra a população desarmada.
  • A nova apuração destaca a cumplicidade de estrangeiros na violência do cerco e o legado de impunidade da época.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

População de Sarajevo foi vítima de um cerco cruel que durou quatro anos Reprodução de vídeo/YouTube/TRT World

Promotores da Itália abriram uma investigação contra um grupo de turistas italianos acusados de participar de “safáris humanos” durante o cerco de Sarajevo, na guerra da Bósnia.

Segundo a promotoria de Milão, os suspeitos teriam pago até 70 mil libras — o equivalente a cerca de R$ 450 mil — para atirar em civis desarmados nas colinas que cercavam a capital bósnia entre 1992 e 1995.


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As denúncias indicam que esses viajantes, muitos deles com vínculos com grupos de extrema direita, teriam negociado diretamente com o Exército sérvio da Bósnia para realizar os ataques. Eles passavam fins de semana em Sarajevo, de onde disparavam contra a população a partir de telhados e encostas. De acordo com os investigadores, havia inclusive tarifas adicionais para quem quisesse alvejar crianças.


O caso foi descrito como “uma caçada a seres humanos”, e retoma um dos capítulos mais sombrios da guerra. À época, a cidade ficou cercada por franco-atiradores posicionados em pontos estratégicos, obrigando os moradores a correr entre prédios e barricadas para evitar os disparos. Duas das principais avenidas, Ulica Zmaja od Bosne e Meša Selimović Boulevard, ficaram conhecidas como “beco dos snipers”.


O jornalista Ezio Gavazzeni, que vive em Milão, afirmou ao jornal La Repubblica que se tratava de pessoas “ricas, respeitáveis e conhecidas”, que “deixavam Trieste para uma caçada e voltavam à rotina como se nada tivesse acontecido”. As autoridades estimam que mais de cem italianos possam ter participado das expedições e poderão ser chamados a depor.


O cônsul bósnio em Milão, Dag Dumrukcic, declarou que o país “está ansioso para descobrir a verdade sobre um assunto tão cruel e acertar as contas com o passado”. Ele afirmou possuir informações que pretende compartilhar com os investigadores italianos. Há relatos de que os serviços de inteligência da Bósnia já dispunham, à época, de provas sobre a presença de estrangeiros nas colinas de Sarajevo.

Durante o cerco, que durou quatro anos, a cidade ficou sem eletricidade, gás e água, mergulhada em um cotidiano de fome e medo. As imagens de civis correndo entre os tiros tornaram-se símbolo da brutalidade do conflito, que deixou 13.952 mortos, entre eles, 5.434 civis.

Os principais responsáveis militares e políticos do lado sérvio-bósnio, Radovan Karadzic e Stanislav Galic, foram condenados pelo Tribunal de Haia por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ambos cumprem prisão perpétua, Karadzic no Reino Unido e Galic na Alemanha.

A nova investigação reacende o debate sobre a cumplicidade de estrangeiros na violência do cerco e o legado de impunidade que persiste desde os anos 1990. Se confirmadas as denúncias, o caso poderá se tornar um dos episódios mais perturbadores da guerra da ex-Iugoslávia, expondo uma macabra indústria de morte financiada por curiosos endinheirados em busca de “emoção” em meio ao horror.

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