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UE faz pacto por mais cooperação militar, mas continua longe de defesa comum

Internacional|Do R7

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Bruxelas, 19 dez (EFE).- Os líderes da União Europeia (UE) se comprometeram nesta quinta-feira a reforçar a cooperação militar, principalmente para desenvolver capacidades-chave, como os drones, mas não conseguiram chegar a um acordo para avançar rumo a uma verdadeira defesa comum. Pela primeira vez desde 2008, a UE discutiu hoje no mais alto nível sua política de segurança, um assunto durante os últimos anos foi totalmente ofuscado pela crise econômica. Os líderes têm clara a necessidade de que "a UE e seus Estados-membros exerçam maiores responsabilidades" para manter a paz e a estabilidade no mundo, e reconhecem que, para isso, devem dispor das capacidades militares necessárias. Por isso, e admitindo que os cortes orçamentários limitaram as possibilidades de todos, se comprometeram a "aprofundar a cooperação" tanto na hora de realizar operações como para desenvolver novos equipamentos. Essa cooperação, no entanto, continuará sendo claramente limitada pela tradicional divisão entre as duas grandes potências militares do bloco, França e Reino Unido. Enquanto Paris é o grande defensor de uma "defesa europeia", Londres voltou a deixar clara sua oposição, e descartou que as capacidades militares ultrapassem o âmbito nacional. "Faz sentido que as nações cooperem em matéria de defesa para nos mantermos seguros, mas não é apropriado que a União Europeia tenha capacidades, exércitos, forças aéreas e demais", afirmou o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Londres sustentou que a base da defesa na região deve ser da Otan. Apesar disso, hoje o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, defendeu que um reforço militar da Europa seria positivo também para a organização. Os planos estipulados pelos 28 Estados-membros se centram em três grandes eixos, começando pelas missões, em que se insiste na necessidade de melhorar a capacidade da UE para desdobrar tropas rapidamente em caso de crise. O bloco dispõe há anos de grupos de intervenção rápida criados com esse objetivo, mas eles nunca foram utilizados por falta de vontade política. O exemplo mais recente é o caso da República Centro-Africana (RCA), onde, segundo fontes diplomáticas, se descartou rapidamente o envio das tropas sob bandeira europeia e a responsabilidade foi deixada nas mãos da França. Diante dessa situação, o presidente francês, François Hollande, reivindicou "financiamento" europeu para esse tipo de missão, o que para Paris poderia acontecer através de um fundo comum. Os líderes se limitaram a assinalar que "os aspectos financeiros das missões e operações devem ser examinados rapidamente". O segundo eixo é o desenvolvimento de seus próprios drones militares e civis entre 2020-2025. O terceiro eixo da estratégia de defesa para os próximos anos é a indústria europeia, que sofreu diretamente o efeito dos cortes e que, segundo fontes diplomáticas, poderia sair da crise perdendo grande parte da competitividade se medidas não forem tomadas. A intenção é avançar a um verdadeiro mercado interno da defesa, e assim dar um novo impulso ao setor. Fora da defesa, os líderes também darão hoje o sinal verde ao acordo fechado nesta quarta-feira pelos ministros de Economia e Finanças, que estabelece as bases da futura autoridade única a cargo das resoluções bancárias. Além disso, se comprometerão a iniciar os contratos de reformas que os países do euro deverão assinar em troca de ajudas financeiras. EFE mvs-mtm/cdr/cd (foto) (vídeo)

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