Unesco tacha de catástrofe a destruição de patrimônio sírio
Internacional|Do R7
Paris, 29 ago (EFE).- A Unesco qualificou nesta quinta-feira de "catastrófico" o nível a que chegou a destruição do patrimônio cultural na Síria por causa do conflito que assola o país, e que segundo o organismo abriga alguns dos bens "mais prezados da cultura islâmica e cristã". "É vital, entre todos os parceiros, uma ação acertada e coerente", afirmou em coletiva a diretora-geral, Irina Bokova, e anunciou que está em andamento um plano de ação que espera servir para definir as áreas prioritárias de intervenção e as medidas de emergência. Bokova disse estar consciente que diante da atual crise humanitária defender o patrimônio pode parecer "secundário", mas deixou claro que não há opção entre uma coisa e outra, porque "não há cultura sem gente, nem sociedade sem cultura". Mais cedo houve reunião de especialistas que teve a participação do mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, que destacou que "poucos países tiveram um passado tão glorioso, e que a comunidade internacional deve proteger tanto sua população como um patrimônio que é de todos". O diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Mamun Abdulkarim também participou do encontro, e detalhou que Aleppo, Dura Europos, Mari e Daraa são alguns dos locais mais afetados e expostos à destruição e pilhagens. O mercado de Aleppo foi incendiado, a torre da mesquita de Umayyad foi destruída, estátuas do museu de Hama e 30 obras de arte do Maarrat foram roubadas, há jazidas arqueológicas transformadas em "campo de batalha", e a escavação ilegal de regiões como a de Apamea torna esses pontos os mais dizimados, dizem os analistas. "Falamos de um patrimônio milenar que é chave para a coesão de uma nação e de sua capacidade para se reconstruir", acrescentou a diretora da Unesco que, em uma tentativa para recuperar algumas das peças tiradas do país solicitou a colaboração de entidades como a Interpol e a Organização Mundial de Alfândegas. Apesar da preocupação, a Unesco não aponta culpados. "Não sabemos quem fez o quê e onde. Por enquanto estamos tentando nos manter informados e prevenir, porque se começarmos a acusar quem foi, a situação se torna ingerenciável, explicou o subdiretor-general de Cultura do órgão, Francesco Bandarin. Mas houve a denúncia de que algumas das peças roubadas foram encontradas em mercadinhos de cidades como Beirute, o que indica que as pilhagens, mais que vinculadas a atos espontâneos e individuais, podem estar ligadas em alguns casos a redes criminosas organizadas. A ameaça contra alguns destes pontos é agravada pela ausência de instituições governamentais responsáveis, ressaltou Abdulkarim, que mais uma vez cobrou que sejam combatidas as escavações ilegais e se aumente o controle fronteiriço. "Afortunada e infelizmente, temos experiência no Iraque, Afeganistão e também no Mali, mas a situação evolui e temos que estar muito atentos para responder corretamente a esses desafios", concluiu Bokova. EFE mgr/cd/ma











