Uruguai diz "sim" à união gay e faz história ao legalizar a maconha
Internacional|Do R7
Raúl Cortés. Montevidéu, 19 dez (EFE).- O Uruguai assumiu o posto de segundo país da América Latina a autorizar o casamento homossexual e o primeiro em todo o mundo a legalizar de forma integral a produção e venda de maconha, um tema que junto com a insegurança nas ruas promete aquecer a campanha das eleições de outubro de 2014. Favorecido pelas políticas sociais do governo de esquerda, que no ano anterior tinha já tinha permitido a descriminalização do aborto, o coletivo homossexual uruguaio celebrou em abril a aprovação no Parlamento da Lei de Casamento Igualitário. Quatro meses depois, em agosto, foram realizados os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo, direito que antes só existia na Argentina e na capital do México. Pouco depois, neste mesmo ano, foi autorizado pela Justiça também no Brasil. A mesma satisfação despertou nos consumidores de maconha a aprovação de uma lei que regulariza a produção e venda dessa droga, inédita até agora no mundo porque outorga ao Estado o controle sobre a cadeia produtiva e sobre o mercado. A medida, impulsionada em meados de 2012 pelo presidente José Mujica, foi aprovada na Câmara dos Deputados em 31 de julho e no Senado em 10 de dezembro. Agora só resta saber se a inovadora fórmula de combate ao narcotráfico, mais questionada que aplaudida dentro e fora das fronteiras uruguaias, poderá ser aplicada com sucesso e daí as repercussões que terá em nível interno e externo. Em pesquisas, dois terços da população uruguaia não aprovam a lei, enquanto a ONU advertiu ao país que está vulnerando convênios internacionais, e vizinhos, como o Brasil, expressaram suas dúvidas sobre o êxito de uma iniciativa que desperta receio na América Latina, a região mais atingida pelo narcotráfico. O ano começou com a visita oficial a Montevidéu do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, a primeira de caráter bilateral que o governante realizou a uma nação latino-americana como um gesto do México rumo a seu principal aliado no Mercosul. Este bloco econômico, imerso em uma grave crise interna há anos, realizou em julho na capital uruguaia uma nova cúpula semestral na qual paraguaios e venezuelanos tiveram o principal papel. O Paraguai porque suspendeu uma suspensão imposta um ano antes por causa da destituição do presidente Fernando Lugo no Congresso. Já a Venezuela assumiu pela primeira vez a secretaria temporária do bloco, após ingressar ao grupo beneficiada justamente pela ausência temporária dos paraguaios. À espera que os paraguaios voltem a participar das cúpulas, o ano terminou com dois fatores encorajadores: o Senado paraguaio deu sinal verde ao ingresso da Venezuela no bloco, pano de fundo da disputa, e o Parlamento do Mercosul (Parlasul) voltou à atividade após dois anos e meio de paralisação. Como de costume, a lembrança da ditadura (1973-1985) turvou o ambiente político e social uruguaio por distintas razões, entre elas pela lembrança do 40º aniversário do golpe de Estado, em 27 de junho, com dezenas de conferências, cerimônias, conversas e manifestações. Em fevereiro, a Suprema Corte de Justiça declarou inconstitucional uma lei governista para evitar a prescrição dos delitos cometidos pelos órgãos repressores do regime ditatorial. Esta medida, aliada à mudança a um julgamento civil da juíza Mariana Mota, que tinha a cargo meio centena de expedientes daquele período em um tribunal penal, suscitou a ira dos defensores dos direitos humanos. Sua única alegria chegou em maio com a condenação a 28 anos de prisão do general Miguel Dalmao pelo assassinato em 1974 da militante comunista Nibia Sabalsagaray, quando este era alferes do exército, no que foi a primeira sentença a um militar em atividade pelos crimes daquela época. Em junho, fracassou uma jornada de votação voluntária promovida pela oposição com a aprovação das autoridades eleitorais para convocar um referendo que anulasse a legalização do aborto. No capítulo internacional, a pitoresca figura de Mujica e sua mensagem crítica ao consumismo seguiu repercutindo nos países que visitou, como na extensa viagem que realizou em meados de ano por China, Espanha e Itália. O ex-guerrilheiro de 78 anos inclusive mediou as negociações de paz na Colômbia entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assunto que o levou a uma audiência no Vaticano com o papa Francisco. Pior foi em nível interno. Sua popularidade caía até menos de 40%, após perder 25 pontos nos três anos e meio transcorridos desde que chegou ao poder e a pouco mais de um de deixá-lo. EFE rac/cdr-rsd








