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Venezuela caiu em default comercial seletivo, afirmam analistas

De acordo com especialistas, o governo deve mais de R$ 31 bilhões 

Internacional|Do R7

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A Venezuela entrou em default comercial seletivo, acumulando dívidas há mais de um ano em alguns casos, de mais de R$ 31 bilhões (14 bilhões de dólares), no mercado interno, de acordo com quatro analistas econômicos entrevistados pela AFP.

"O governo optou por um default seletivo nos mercados interno e externo, e deu prioridade a seguir pagando as dívidas em títulos soberanos e da companhia estatal de petróleo PDVSA para evitar o risco de embargos", explicou à AFP o economista e professor da UCV (Universidade Central da Venezuela), Luis Oliveros.

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As dívidas com importadores de automóveis e autopeças, alimentos, com empresas de saúde, químicas e com companhias aéreas superam os 14 bilhões de dólares, afirma o ex-gerente do Banco Central da Venezuela, José Guerra, que também ressalta que "há um default comercial, uma suspensão dos pagamentos".

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No país com as maiores reservas de petróleo do mundo, mas que importa quase tudo o que consome, as dívidas fazem parte de uma economia com graves problemas de escassez, em que faltam um em cada quatro alimentos e medicamentos.

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Muitas indústrias estão paradas por falta de insumos —entre elas cinco montadoras de automóveis— e as companhias aéreas reduzem drasticamente seus voos ou deixam o mercado, como aconteceu com a Air Canada e com a Alitalia.

"É válido perguntar se há um default parcial", disse Francisco Ibarra, economista na consultora Econométrica.

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"O país —acrescenta Ibarra— ajusta-se em termos de divisas há muito tempo. Esse recursos que o governo afirmava ter (para garantir as importações) não existem", ressalta Ibarra, referindo-se a uma complexa estrutura de fundos soberanos em divisas, administrados sem transparência.

O falecido presidente Hugo Chávez (1998-2013) planejava levar a Venezuela ao "Socialismo do século 21", com uma economia centralizada e com a intervenção do Estado, por meio de rígidos controles de preços, de produção e do câmbio desde 2003.

Entretanto, o modelo da "nova ordem econômica interna de transição ao socialismo" (como define o governo) apresenta uma inflação de 60% e um desabastecimento crônico que desencadearam meses de violentos protestos com um total de 42 mortos e 800 feridos.

O governo não acredita que o clima de revoltas esteja relacionado à economia, alegando ser uma "tentativa de golpe de Estado" por parte de setores de direita radical.

Desde que assumiu há 13 meses, o presidente Nicolás Maduro tem evitado medidas impopulares, como cortes no gasto público para reduzir um déficit estimado de 15% do Produto Interno Bruto, e afastou enfaticamente várias vezes a possibilidade de uma nova desvalorização.

Os analistas têm dúvidas se o governo integrado por nacionalistas de esquerda, incluindo marxistas radicais, avançará em reformas que especialistas consideram indispensáveis.

"Este desequilíbrio é insustentável. Precisa haver uma transição no chavismo, no que se refere ao modelo político e econômico", afirmou Ibarra. Contudo, ele duvida que se apliquem os ajustes porque "são drásticos, muito difíceis de adotar com gente (dentro do governo) que não concorda", opinou.

De qualquer forma, quando o dólar chegou a valer doze vezes mais no ilegal mercado paralelo em comparação ao oficial, o governo realizou uma desvalorização da taxa de câmbio, com três valores para diferentes setores da economia: 6,30 bolívares por dólar, 10 e 50 bolívares por dólar.

Enquanto isso, os empresários, em contexto de implementação de uma Lei de Preços que regula os lucros, alertaram para uma queda nos inventários e a impossibilidade de reposição das mercadorias por falta de divisas (o governo deve liquidar as divisas que receber dos empresários).

O governo havia prometido um orçamento cambial de 42 bilhões de dólares para "garantir 80% de todos os requerimentos" em produção, alimentação, saúde e educação.

Este é "um dos gravíssimos problemas" que paralisaram a produção, com "dólares que agora parecem não existir", afirma Richard Obuchi, economista e professor do Instituto de Estudos Superiores de Administração (IESA).

Embora se afirme que a PDVSA exporte quase 100 bilhões de dólares ao ano, o valor é aproximado porque a petroleira ainda não divulgou seu relatório de gestão auditado de 2013.

De certo, é que as reservas do Banco Central foram reduzidas a um terço durante 2013, ao caírem de 30 para pouco mais de 20 bilhões de dólares.

"Esta é uma crise autoinfligida que ocorre com preços de petróleo elevados", lamentou Ibarra. "Ninguém sabe o que aconteceu com as exportações da PDVSA, pois não há informação oficial e é um erro assumir que esses recursos (em divisas) existem".

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