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Venezuelanos vasculham edifícios desabados com as mãos enquanto maquinário do governo permanece sem uso

Número oficial de mortos continua a subir em meio a esforços internacionais e locais para ajudar nos resgates

Internacional|Max Saltman, Isa Soares e Madalena Araujo, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Venezuelanos em La Guaira estão vasculhando escombros manualmente após terremotos, com maquinário do governo parado por falta de combustível.
  • A resposta do governo aos terremotos tem sido criticada, enquanto a oposição busca unir os venezuelanos durante a crise.
  • Quatro funcionários foram presos por apropriação indevida de objetos de valor nos escombros, enquanto a corrupção é condenada.
  • O número de mortos continua a subir, com esforços de resgate ainda em andamento, mas enfrentando dificuldades devido à falta de equipamentos adequados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Famílias continuam a procurar entes queridos nos escombros Juan Pablo Arraez/AP via CNN Newsource

Enquanto os venezuelanos em La Guaira continuavam a revirar os escombros de edifícios desabados ontem, uma escavadeira do governo permanecia imóvel ao lado de uma pilha de concreto e vergalhões retorcidos.

Há muito trabalho a fazer, uma semana depois que dois terremotos massivos destruíram grande parte desta cidade costeira.


Maquinário pesado é uma ferramenta vital após o desastre, mas, quando a CNN Internacional perguntou ao operador da escavadeira por que ela estava parada, ele disse que não havia gasolina para abastecê-la.

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A Venezuela abriga as maiores reservas de petróleo registradas no mundo, mas, após um de seus piores terremotos em mais de um século, muitos de seus cidadãos foram forçados a desenterrar seus amigos e familiares dos escombros com as próprias mãos por falta de combustível.


O desespero deles ocorre em um momento em que o governo venezuelano enfrenta crescentes críticas sobre sua resposta à crise.

“As pessoas estão indignadas”, disse a analista política Carmen Beatriz Fernández, diretora da empresa de consultoria DataStrategia. “O que estamos vendo é essa tragédia como o reflexo de outra tragédia, que foi dedicar as capacidades do Estado exclusivamente à repressão e à propaganda. Vocês desmantelaram a capacidade de um Estado de prover as necessidades básicas.”


Para piorar a situação, quatro funcionários foram presos após serem flagrados “apropriando-se de objetos de valor encontrados nos escombros”.

Em um comunicado na terça-feira (30), o CICPC (Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas) informou que os quatro homens foram afastados de seus cargos e seus casos foram encaminhados ao judiciário.


“A instituição reafirma à nação que não tolerará, sob nenhuma circunstância, má conduta policial, atos de corrupção ou comportamentos que minem a integridade institucional ou aumentem o sofrimento das vítimas desta emergência”, acrescentou o comunicado.

Enquanto isso, a líder da oposição, María Corina Machado, disse que a crise a motivou a retornar à Venezuela de seu exílio nos EUA, dizendo à Fox News que ela e os venezuelanos “precisam estar juntos”.

O governo defendeu sua resposta aos terremotos apesar do “caos inicial”, com o principal legislador Jorge Rodríguez promovendo uma nova iniciativa “na qual os voluntários são distribuídos de acordo com as prioridades estabelecidas”.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse cedo aos venezuelanos para confiarem em seu governo.

“Pedimos ao nosso povo que, no meio desta situação, sejamos capazes de nos organizar nas comunas, (que) sejamos capazes de nos organizar em todas as estruturas — precisamos saber quem está desaparecido, onde estavam, para que possamos fazer o trabalho de resgate de forma mais precisa”, disse Cabello na quinta-feira passada (25).

Os recursos extras são extremamente necessários em La Guaira, uma das partes mais atingidas do país, onde o cheiro de decomposição toma conta do ar úmido.

A CNN Internacional viu pessoas usando picaretas, pás e as próprias mãos para quebrar os prédios de apartamentos que desabaram.

“Perdemos muito tempo tentando descobrir novas ferramentas para usar em uma atividade específica, como cortar aço”, disse Hassel Mendoza à CNN Internacional.

A engenheira voou de Tampa para tentar encontrar sua mãe, irmã, cunhado e sobrinho nas ruínas de seu prédio de apartamentos de nove andares, dormindo no chão desde que chegou, duas noites atrás.

Mendoza disse que as buscas têm sido excessivamente difíceis sem as ferramentas certas.

Uma equipe de defesa civil do estado vizinho de Aragua não tinha nenhum dos equipamentos necessários para quebrar rapidamente os escombros, disse Mendoza. Sem furadeiras, sem sensores. Doações de água do governo e de outros lugares foram úteis, mas não foram suficientes.

O número oficial de mortos continua a subir, embora lentamente.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Ramírez — irmão do presidente em exercício —, anunciou que pelo menos 2.295 pessoas haviam morrido.

Mas acredita-se que o número de vítimas seja muito maior. O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) estima que há uma alta probabilidade de que dezenas de milhares estejam mortos.

O coordenador residente e humanitário das Nações Unidas na Venezuela, Gianluca Rampolla, disse na segunda-feira (29) que o governo venezuelano e a ONU (Organização das Nações Unidas) estão adquirindo 10 mil sacos para cadáveres em antecipação a mais mortes.

Quando a CNN Internacional passou por um necrotério improvisado no porto de La Guaira, fileiras de caixões estavam empilhadas no cais.

Como muitas das pessoas acampadas do lado de fora das casas de suas famílias na Venezuela, Mendoza se recusa a acreditar que eles se foram até o último momento possível. “Temos um pouco de esperança de que minha família esteja viva”, disse ela. “Você nunca sabe até encontrar os corpos.”

A fé dela não é sem precedentes. Houve resgates milagrosos capturados pelas câmeras em toda a Venezuela, bem além da “janela de ouro” de três dias para encontrar sobreviventes.

Jack Thorpe, um voluntário americano da Resource Rescue International, disse à CNN Internacional que já viu pessoas presas entrarem em “modo de sobrevivência” e, de alguma forma, permanecerem vivas enquanto esperam pelo resgate.

“Estamos procurando por vida e também estamos procurando por falecidos”, disse Thorpe sobre sua equipe, que viajou para a Venezuela na segunda-feira, vinda da Carolina do Norte. “Imagino que nos dirão em algum momento que é uma operação de recuperação total. Sei que ainda temos encontrado pessoas vivas nesses edifícios, por isso não estou pronto para desistir ainda.”

‘Não posso pensar em chorar’

Deivis Ramos não chora desde que suas filhas foram mortas nos terremotos da quarta-feira passada (24). Ele não vê utilidade.

Chorar não vai ajudá-lo a cavar os escombros do prédio de apartamentos dos pais de sua esposa, onde ele e outros passaram dias escavando, procurando por seus corpos.

“Não posso pensar em chorar”, disse Ramos. “Agora, mesmo que minha alma esteja se despedaçando por dentro, não posso pensar em chorar, porque as lágrimas não vão mover uma única pedra. O que preciso é de força e vontade.”

As duas filhas de Ramos — Darling Antonella, de sete anos, e Dulce María, de dois anos — estavam com os avós e bisavós, que também morreram nos terremotos.

Ele estava trabalhando no grande porto da cidade quando os terremotos ocorreram. Ele correu para o prédio em menos de 30 minutos após o primeiro terremoto. Ele está cavando desde então.

“Estamos apenas pedindo forças para chegar onde eles estão e dar-lhes descanso”, disse Ramos. Ele está impressionado com a ajuda que veio de todo o país e do exterior. “A partir da tarde do primeiro dia, você via patrulhas, bombeiros, equipes de resgate — a ajuda internacional, pessoas de outros estados que vieram aqui com as próprias mãos, com seu próprio dinheiro.”

O governo estadual trouxe geradores para ajudar nas buscas no primeiro dia, acrescentou Ramos. Inicialmente, eles conseguiram usar maquinário pesado trazido por outros para cavar, mas essas máquinas foram movidas para outro lugar assim que os socorristas determinaram que não havia sinais de vida no prédio de apartamentos.

Ramos e os outros voluntários cavaram metodicamente pelos cômodos do apartamento, encontrando pertences pessoais — o telefone e a mesa de costura de sua sogra, por exemplo, e uma das camas de sua filha —, mas nenhum sinal de seus filhos, pelo menos não ainda. Ramos suspeita que eles tenham corrido para o outro lado da unidade, onde ele ainda não conseguiu chegar.

“Já fizemos as pazes com isso”, disse ele. “Apenas pedimos forças para alcançá-los e dar-lhes um descanso adequado. Isso é tudo o que queremos.”

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