Vice-presidente da Argentina pede anulação de intimação para depoimento
Internacional|Do R7
Buenos Aires, 4 jun (EFE).- A defesa do vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, acusado de corrupção, pediu nesta quarta-feira à Justiça a anulação da intimação para depor, prevista para 15 de julho. Os advogados de Boudou pediram ainda que o juiz responsável pelo caso, Ariel Lijo, determine uma nova resolução que "resguarde as garantias constitucionais". A defesa do vice-presidente, que ontem tinha pedido a antecipação do depoimento já que, no dia 15 de julho, Boudou assumirá temporariamente a presidência argentina, explicou no documento apresentado hoje que ele "deseja dar as explicações necessárias". Mas estas explicações devem ser dadas com base em "descrições juridicamente válidas" e "apoiadas por uma condução coerente" pelo juiz do 'caso Ciccone', que investiga a suposta compra irregular de impressão de papel-moeda da Ciccone Calcográfica por um empresário próximo ao vice-presidente. Os advogados argumentam que a intimação "incorreu em uma clara violação do princípio constitucional ao devido processo, do direito constitucional de defesa e também das disposições na forma do código, que exigem consistência na intimação". Em julho de 2010, um tribunal declarou a falência da Ciccone a pedido do fisco argentino por dívidas impositivas, mas a justiça suspendeu a declaração três meses depois, a pedido da própria empresa, que conseguiu negociar um plano de pagamentos com os credores. A companhia passou para as mãos da "The Old Fund", presidida por Alejandro Vandenbroele, citado como "testa-de-ferro" de Boudou, embora este vínculo seja negado pelo vice-presidente. As provas da promotoria indicam que o vice-presidente e José María Núñez Carmona, empresário e amigo dele, teriam adquirido a Ciccone enquanto Boudou era ministro da Economia através da "The Old Fund" e de Alejandro Vandenbroele, "com o objetivo de fechar um contrato com o Estado da impressão de cédulas e documentação oficial". Amado Boudou deixou o ministério da Economia após as eleições de 2011 para ocupar a vice-presidência, mas as denúncias de envolvimento em escândalos de corrupção ofuscaram sua carreira polítesta éica. É a primeira vez que um vice-presidente do governo em exercício é acusado pela justiça na Argentina desde a redemocratização, em 1983. EFE nk/cd/id











