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Vitória pírrica dos conservadores abre incerto cenário búlgaro

Internacional|Do R7

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Vladislav Púnchev Sófia, 13 mai (EFE).- A vitória pírrica dos conservadores nas eleições legislativas da Bulgária, realizadas no domingo, abre um incerto cenário no país mais pobre da União Europeia já que não há nenhuma coalizão estável de Governo. Com 99,27% dos votos apurados, a formação conservadora Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB) somou 30,7% dos votos, à frente do Partido Socialista, com 27,6%. O partido da minoria turca, o DPS, com 10,45%, e o ultranacionalista Ataka, com 7,39%, também entram o Parlamento de 240 cadeiras de Sófia após superar a média do 4% . Com estas porcentagens, os conservadores teriam 98 deputados, os socialistas 86, a minoria turca 33 e os ultranacionalistas de Ataka 23, segundo explicaram à Agência Efe fontes da Comissão Central Eleitoral. A apatia e a desilusão cidadã afundaram a participação até 50%, um número que ainda deve ser confirmado pelas autoridades eleitorais, mas que seria o mais baixo em umas eleições parlamentares desde a volta da democracia em 1990. Assim, o ex-primeiro-ministro populista Boiko Borisov, que renunciou em fevereiro acossado pelos protestos populares pelo baixo nível de vida e a corrupção, deve liderar agora as negociações para formar um Executivo. "O partido será responsável perante o povo. Borisov é capaz de oferecer e formar um Governo de minoria", declarou o "número dois" conservador e ex-ministro do Interior Tsvetan Tsvetanov. O resto das formações com representação parlamentar já rejeitaram um acordo com os conservadores, o que pode dirigir a uma maior instabilidade política e econômica em um país já golpeado pela crise. Até agora, Borisov não apareceu perante a imprensa para dar sua avaliação dos resultados e nem revelar seus planos de futuro. Os socialistas descartaram plenamente um acordo com os conservadores, e os dois partidos minoritários também não deram muitas esperanças de chegar a um pacto. O líder da formação da minoria turca, Lyutvi Mestan, descreveu o GERB como "autoritário" e disse que teria que buscar fórmulas de Governo sem esse partido. Por sua vez, o responsável do ultranacionalista Ataka, Volen Siderov, descartou qualquer acordo porque os conservadores o "enganaram" e atuaram de forma "infame" De forma teórica, o sociólogo Ognyan Minchev explicou na televisão "BNT", que há duas possibilidades. Uma é a coalizão entre conservadores e ultranacionalistas, que contaria com uma maioria absoluta de 121 deputados, enquanto a de socialistas e a minoria turca ficaria abaixo, com 119 cadeiras. "As eleições não deram um vencedor claro", avaliou, por sua parte, a analista Boryana Dimitrova, que prevê uma grande polaridade em uma Câmara muito fragmentada. Desta forma, o Parlamento que saiu após a derrubada do Governo pelos protestos contra as penúrias econômicas e a corrupção não parece capaz de dar resposta a essas demandas, que estão longe de ter desaparecido. Segundo os últimos dados do Eurostat, 22% dos 7,3 milhões de habitantes do país vivem com o salário mínimo de 155 euros, enquanto quase a metade da população - 49%- corre o risco de cair na pobreza. Logo após conhecer as primeiras projeções de voto na noite do domingo, centenas de manifestantes protestaram contra os resultados e trataram de entrar à força em um edifício onde os líderes políticos faziam a avaliação da jornada eleitoral. Os manifestantes jogaram ovos e bengalas contra os guardas aos gritos de "máfia", a palavra que empregam para descrever à classe política. Esta é a primeira vez desde a queda do comunismo em 1990 que se organiza um protesto deste tipo na noite eleitoral contra os resultados das urnas. Alguns analistas já advertem que se não for formado um Governo com rapidez, a frustração e a desilusão com os partidos políticos podem dirigir a uma nova onda de manifestações.EFE vp-ll/ff (foto)

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