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Acidentes com motociclistas dominam estatísticas e preocupam especialistas em BH

Capital registra milhares de ocorrências com motos e média de mais de 17 atendimentos diários no João 23; casos recentes evidenciam gravidade

Minas Gerais|Cler Santos, do R7.

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Ao menos quatro acidentes foram registrados em um curto intervalo de tempo, no Anel Rodoviário Kiuane Rodrigues, da RECORD Minas

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Alta incidência de acidentes com motociclistas em Belo Horizonte, com 17 atendimentos diários no Hospital João XXIII.
  • Recentes acidentes fatais, incluindo um ocorrido no Anel Rodoviário e outro na MGC-356, destacam a gravidade do problema.
  • Em 2026, já foram registrados 1.439 acidentes com vítimas apenas nos primeiros meses do ano, com predominância de jovens entre 18 e 29 anos.
  • Aumento no número de motocicletas nas ruas, com um crescimento de 20,6% nos licenciamentos, contribui para o aumento das ocorrências.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A morte de um motociclista na manhã desta quarta-feira (15), em um dos acidentes registrados no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, escancara um problema que tem se tornado cada vez mais frequente na capital: a alta incidência de ocorrências envolvendo motos, muitas delas com vítimas graves ou fatais.

O acidente aconteceu entre os bairros Santa Cruz e Maria Virgínia, no sentido Vitória/Rio de Janeiro, durante uma sequência de batidas registradas entre 6h e 6h30. A colisão envolveu um carro e uma motocicleta, e a vítima morreu ainda no local. Em outros pontos da via, novos acidentes envolvendo carros, caminhão e carreta deixaram ao menos uma pessoa ferida. Equipes do Samu, BHTrans, Guarda Municipal e Polícia Civil atuaram na ocorrência, que provocou interdições e reflexos no trânsito.


O caso desta quarta-feira se soma a outros registros recentes que ajudam a dimensionar o cenário. Na madrugada do último domingo (12), um motociclista de 25 anos morreu após um grave acidente na MGC-356, na região do Belvedere. Ele conduzia uma moto quando bateu contra uma picape e sofreu traumatismo craniano. Um adolescente de 16 anos, que estava na garupa, ficou gravemente ferido e segue internado no Hospital João 23. O motorista do carro apresentava sinais de embriaguez, se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi preso em flagrante, sendo liberado posteriormente mediante pagamento de fiança e cumprimento de medidas judiciais.

Os dados mais recentes reforçam que essas ocorrências não são pontuais. Em 2025, foram registrados 10.265 acidentes com motos com vítimas e outros 10.872 sem vítimas, totalizando mais de 21 mil ocorrências. As vias com maior número de casos foram a avenida Cristiano Machado, com 429 registros, seguida pela Antônio Carlos (336), Contorno (316), Amazonas (272) e o próprio Anel Rodoviário, com 262 acidentes.


Em 2026, mesmo com dados apenas dos primeiros meses, o cenário se mantém elevado. Entre janeiro e fevereiro, já foram contabilizados 1.439 acidentes com vítimas e 1.546 sem vítimas. Novamente, a Cristiano Machado lidera, com 62 registros, seguida pela Contorno (61), Antônio Carlos (46), Anel Rodoviário (33) e Amazonas (28).

O perfil das vítimas também chama atenção. Neste ano, a maior parte dos envolvidos em acidentes de trânsito tem entre 18 e 29 anos, somando 810 casos. Ao todo, já são 1.688 vítimas, sendo 78,5% homens e 21,15% mulheres.


Os reflexos dessa realidade aparecem diretamente no sistema de saúde. Só em 2026, até o dia 9 de abril, o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII atendeu 1.734 vítimas de acidentes com motocicletas, o que representa uma média de 17,5 pacientes por dia. No ano passado, foram 6.876 atendimentos desse tipo.

De acordo com o gerente médico do hospital, Rodrigo Muzzi, os acidentes com motos são a principal causa de trauma atendida na unidade e apresentam maior gravidade. “São duas a três vezes mais frequentes que acidentes com carro e, normalmente, mais graves, porque o motociclista não tem proteção”, afirma.


A gravidade desses acidentes pode ser ilustrada por casos como o do gari Thiago Henrique de Souza Lima. Ele foi atingido por um carro no dia 22 de março, na Avenida dos Andradas, após o motorista invadir a contramão. “Tentei desviar, foi a hora que ele me pegou e me jogou para o alto”, contou. Thiago ficou 17 dias internado, com fraturas no fêmur, braço, joelho e pé, e agora enfrenta uma longa recuperação, sem previsão de retorno ao trabalho.

Especialistas apontam que o aumento no número de motocicletas nas ruas contribui diretamente para esse cenário. Só no primeiro trimestre de 2026, foram licenciadas 571.728 motos no Brasil, um crescimento de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em março, foram 221.618 unidades, com média diária superior a 10 mil veículos.

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