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Acusado de comandar massacre nega mortes e acusa trabalhadores de incendiar acampamento

Promotor acredita que condenação de Adriano Chafik chegue a 170 anos de prisão

Minas Gerais|Do R7 MG, com Record Minas

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Chafik (d) responde por cinco mortes, 12 tentativas de homicídio, incêndio e formação de bando
Chafik (d) responde por cinco mortes, 12 tentativas de homicídio, incêndio e formação de bando

Acusado de ser o mandante do Massacre de Felisburgo, que deixou cinco trabalhadores mortos e destruiu um acampamento sem terra em 2004, o fazendeiro Adriano Chafik afirmou durante julgamento nesta quinta-feira (10), em Belo Horizonte, que o assentados iniciaram o conflito que andava armado por se sentir ameaçado.

Ele confirmou ter atirado contra um trabalhador, mas disse acreditar que o tiro não o tenha atingido e que os próprios sem terra é que teriam incendiado o acampamento.


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Em depoimento que durou cerca de duas horas Chafik contestou a acusação do Ministério Público. Durante a tarde, prestará depoimento o réu Washington Agostinho da Silva, acusado de ser um dos pistoleiros.


Acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, no Vale do Jequitinhonha, teve casas destruídas. Hoje, 62 famílias ainda moram no local e relatam ameaças
Acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, no Vale do Jequitinhonha, teve casas destruídas. Hoje, 62 famílias ainda moram no local e relatam ameaças

O promotor Cristiano Nunes acredita que a pena de Adriano Chafik possa chegar a 170 anos de prisão, mas quer impedir que ele recorra em liberdade.

— O MP fará sua acusação pedindo que eles sejam condenados e mantidos presos porque não é justo que uma pessoa que comete um assassinato brutal desses, pegue 170 anos de prisão, que é o que agente espera, e fique solto.


Sobrevivente

Uma das sobreviventes do massacre, hoje com 20 anos, se lembra do dia em que os trabalhadores foram cercados. Maíra Gomes detalha a crueldade que viveu.


— Uma companheira gritou para trazer as crianças, para ter piedade. E o Adriano gritou que era pra matar todo mundo, criança, jovem, adulto. Veja o grau de crueldade. Um amigo meu tinha 11 anos e tem uma bala alojada no olho até hoje.

Segundo a promotoria, o fazendeiro liderou um grupo de 14 pistoleiros que surpreendeu os sem terra e deu ordens para matar inclusive crianças. Depois do massacre, os pistoleiros atearam fogo nos barracos. Cinco pessoas morreram e 12 ficaram feridas, incluindo uma criança de 12 anos.

Desmembramento

Dois pistoleiros acusados do crime, Francisco Rodrigues e Milton Francisco de Souza, seriam julgados hoje. O processo foi desmembrado a pedido da defesa dos outros dois réus. O juiz Glauco Soares Fernandes aceitou a solicitação e marcou o júri para o dia 23 de janeiro de 2014.

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