Acusado de comandar massacre nega mortes e acusa trabalhadores de incendiar acampamento
Promotor acredita que condenação de Adriano Chafik chegue a 170 anos de prisão
Minas Gerais|Do R7 MG, com Record Minas

Acusado de ser o mandante do Massacre de Felisburgo, que deixou cinco trabalhadores mortos e destruiu um acampamento sem terra em 2004, o fazendeiro Adriano Chafik afirmou durante julgamento nesta quinta-feira (10), em Belo Horizonte, que o assentados iniciaram o conflito que andava armado por se sentir ameaçado.
Ele confirmou ter atirado contra um trabalhador, mas disse acreditar que o tiro não o tenha atingido e que os próprios sem terra é que teriam incendiado o acampamento.
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Em depoimento que durou cerca de duas horas Chafik contestou a acusação do Ministério Público. Durante a tarde, prestará depoimento o réu Washington Agostinho da Silva, acusado de ser um dos pistoleiros.

O promotor Cristiano Nunes acredita que a pena de Adriano Chafik possa chegar a 170 anos de prisão, mas quer impedir que ele recorra em liberdade.
— O MP fará sua acusação pedindo que eles sejam condenados e mantidos presos porque não é justo que uma pessoa que comete um assassinato brutal desses, pegue 170 anos de prisão, que é o que agente espera, e fique solto.
Sobrevivente
Uma das sobreviventes do massacre, hoje com 20 anos, se lembra do dia em que os trabalhadores foram cercados. Maíra Gomes detalha a crueldade que viveu.
— Uma companheira gritou para trazer as crianças, para ter piedade. E o Adriano gritou que era pra matar todo mundo, criança, jovem, adulto. Veja o grau de crueldade. Um amigo meu tinha 11 anos e tem uma bala alojada no olho até hoje.
Segundo a promotoria, o fazendeiro liderou um grupo de 14 pistoleiros que surpreendeu os sem terra e deu ordens para matar inclusive crianças. Depois do massacre, os pistoleiros atearam fogo nos barracos. Cinco pessoas morreram e 12 ficaram feridas, incluindo uma criança de 12 anos.
Desmembramento
Dois pistoleiros acusados do crime, Francisco Rodrigues e Milton Francisco de Souza, seriam julgados hoje. O processo foi desmembrado a pedido da defesa dos outros dois réus. O juiz Glauco Soares Fernandes aceitou a solicitação e marcou o júri para o dia 23 de janeiro de 2014.















