Água contaminada por bactéria atinge bloco cirúrgico e lactário da Maternidade Odete Valadares
Relatório aponta presença de bactéria resistente em setores críticos da unidade
Minas Gerais|Ana Paula Pedrosa, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Análises laboratoriais identificaram contaminação da água da Maternidade Odete Valadares (MOV), em Belo Horizonte, por uma bactéria considerada de alto risco para ambientes hospitalares. Segundo relatório obtido pelo Sindsaúde e enviado a órgãos como a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a contaminação atinge setores extremamente sensíveis da unidade, como o bloco cirúrgico, bloco obstétrico, lactário e unidades neonatais.
De acordo com o documento, as análises foram realizadas no dia 14 de abril pela empresa GHS Indústria e Serviços Ltda. O relatório oficial, datado de 6 de maio de 2026, apontou presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em diversos pontos da maternidade. Em locais como bloco cirúrgico, bloco obstétrico, lactário, setor de pasteurização e Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIM), a concentração ultrapassou 2 mil UFC/100mL. A bactéria também foi identificada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIM) e na Central de Material e Esterilização (CME).
O relatório ainda aponta níveis alarmantes de bactérias heterotróficas. Em setores como CTI Adulto, bloco cirúrgico, lactário, bloco obstétrico e pasteurização, as contagens ultrapassaram 57 mil UFC/mL — mais de 114 vezes acima do limite operacional de alerta, que é de 500 UFC/mL.
No ofício encaminhado aos órgãos públicos, o Sindsaúde afirma que a situação representa “risco iminente de surto infeccioso, sepse neonatal e óbitos”, especialmente pela exposição de recém-nascidos, gestantes e pacientes vulneráveis à bactéria, conhecida pela alta resistência a antibióticos. O sindicato também alerta para o uso de pias contaminadas em setores neonatais e para a utilização da água em áreas críticas da maternidade.
Diante da gravidade do caso, o Sindsaúde pediu a apresentação imediata do plano de ação adotado pela unidade, além de relatórios sobre possíveis infecções hospitalares registradas nos meses de abril e maio. O sindicato também solicitou inspeção emergencial da Vigilância Sanitária, abertura de investigação pelo Ministério Público e acompanhamento da situação pela Comissão da Mulher da ALMG e pelo Conselho Municipal de Saúde.
O que diz a Fhemig
Em nota, a Fhemig informou que segue protocolos sanitários rígidos e que a água consumida por pacientes e servidores é mineral. A fundação confirmou que, durante análise programada realizada em abril, foi identificada a presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas em alguns pontos da maternidade.
Segundo a Fhemig, após a identificação do problema, foram realizadas limpeza e desinfecção imediata dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além da adoção de outras medidas previstas em plano de ação. A fundação informou ainda que promoveu treinamentos com as equipes responsáveis pelos procedimentos de higienização.
A instituição afirmou que não há registros de sintomas gastrointestinais entre servidores e que não foram registradas infecções hospitalares relacionadas ao caso nos meses de abril e maio. A Fhemig destacou ainda que segue monitorando a qualidade da água e adotando medidas para garantir a segurança de pacientes, acompanhantes e trabalhadores.
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