Minas Gerais "Ansioso", diz pai de fisiculturista morto em boate sobre julgamento 

"Ansioso", diz pai de fisiculturista morto em boate sobre julgamento 

Terceiro dos 4 réus acusados de terem matado jovem em uma boate de BH vai a julgamento nesta quinta (26); dois seguranças já foram condenados

Terceiro réu vai a julgamento nesta quinta (26)

Terceiro réu vai a julgamento nesta quinta (26)

Arquivo Pessoal / Dênio Pontelo

O pai do fisiculturista Allan Pontelo, que foi espancado e morto por seguranças dentro de uma boate em Belo Horizonte, diz estar “ansioso” pelo julgamento do terceiro dos quatro réus na Justiça da capital mineira.

Allan Guimarães Pontelo, então com 25 anos, foi espancado até a morte dentro de uma boate no dia 2 de setembro de 2017. Em agosto deste ano, dois seguranças do estabelecimento foram condenados a 16 anos e seis meses de prisão em regime fechado. O terceiro acusado pelo crime será julgado nesta quinta (26), enquanto um quarto suspeito continua foragido.

O pai da vítima, Dênio Pontelo, tem buscado justiça pela morte do filho desde que ele foi assassinado. Nesta terça-feira (24), ele instalou dois outdoors em Contagem, na região metropolitana de BH, anunciando a data do julgamento. O cartaz ainda traz os dizeres “não podemos aceitar”, “é revoltante” e “clamamos por justiça”.

Expectativa

Pontelo afirma que o julgamento desta quinta era o que ele mais esperava que acontecesse. A denúncia do Ministério Público acusa este réu de ser o responsável por extorquir pessoas dentro da boate, incluindo seu filho. Este teria sido o motivo inicial do desentendimento que culminou na morte do fisiculturista.

— Parece que era ele que ficava extorquindo os clientes e, pelo jeito, ele queria pegar o relógio do meu filho. O Allan era jovem, nessa idade ele ficava ostentando as coisas, a gente sabe como é. Inclusive esse relógio nunca apareceu, está sumido até hoje.

A perícia confirmou que a causa da morte do fisiculturista foi “asfixia mecânica por constrição extrínseca do pescoço”, além de diversas lesões no corpo. Dênio Pontelo conta que o corpo do filho estava quase irreconhecível e que ele pode ver, com os próprios olhos, o tamanho da violência sofrida pelo rapaz.

— A única parte do corpo dele que não tinha hematoma era na mão, o resto do corpo estava todo machucado. Eles estraçalharam meu filho. O Allan entrou na boate bonito, sadio, e saiu de lá dentro de um caixão, ainda sendo acusado de usuário de drogas e traficante.

Seguranças

Dênio Pontelo disse que o caso do homem assassinado dentro de um supermercado no Rio Grande do Sul fez ele relembrar o sofrimento vivido pelo filho. Pontelo confessou que não foi capaz de assistir o vídeo que mostra João Alberto, de 40 anos, sendo agredido até a morte.

— Na hora que passou na TV eu saí da sala. Meu peito doeu, uma lágrima caiu. Eu vi meu filho ali, naquele lugar, apanhando até morrer. Foi muita covardia.

O pai de Allan Pontelo afirma que alguns seguranças são “despreparados” e que algo precisa ser feito para que o treinamento destes profissionais seja mudado “o mais rápido possível”.

— O bom segurança pode até apanhar, mas ele não reage. Ele segura o agressor, coloca ele para fora pacificamente e chama a polícia. E esse nem foi o caso do meu filho, eu sei que ele tinha respeito e não levantaria a mão para ninguém.

Busca por justiça

Sobre os outdoors afixados em Contagem, Dênio Pontelo diz que só colocou dois pelo fato do julgamento ser “em cima da hora”. Apesar disso, ele pretende continuar buscando justiça e diz que não vai descansar até ver todos os acusados atrás das grades.

— O que eu puder fazer para colocar os suspeitos atrás das grades, eu faço. Peço ajuda, faço o que der, mas eu não vou deixar essa barbaridade ser esquecida.

*Estagiário do R7 sob a supervisão de Lucas Pavanelli.

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