Após dois anos, processo do caso Backer está na fase inicial
Segundo o TJ, apenas depois da defesa prévia, provas começarão a ser produzidas; ao menos 10 pessoas morreram por intoxicação
Minas Gerais|Rodrigo Dias, Da Record TV Minas

Um ano e quatro meses após o Ministério Público de Minas Gerais oferecer denúncia contra as pessoas envolvidas na contaminação de cervejas da Backer, o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) afirma que o processo se encontra em fase inicial. Após dois anos, vítimas e famílias aguardam por justiça.
As investigações sobre o caso começaram no dia 5 de janeiro de 2020, poucos dias depois das primeiras vítimas passarem mal após consumirem a cerveja Belorizontina, fabricada pela empresa. Segundo a Polícia Civil, 29 pessoas foram intoxicadas e desenvolveram uma síndrome que causa insuficiência renal aguda. Destas, dez morreram e 16 tiveram sequelas graves, como cegueira e paralisia da face.
O inquérito policial foi concluído em junho do mesmo ano e confirmou que vários lotes da bebida continham dietilenoglicol, uma substância usada na fabricação que não poderia ter contato com a bebida, mas, por falha da empresa, vazou para dentro de um dos tanques.
A Polícia Civil indiciou 11 pessoas por lesão corporal, homicídio e contaminação culposa. Em setembro de 2020, o Ministério Público ofereceu denúncia contra dez pessoas envolvidas na contaminação da cerveja. Paralelo ao processo criminal, também correm na Justiça ações cíveis movidas pelas vítimas e parentes das vítimas.
Por meio de nota, o TJMG informou que o processo se encontra em fase de citação e apresentação de defesas prévias. Após esse período, começarão a produção de provas, depoimentos e interrogatórios.
O advogado Cláudio Diniz, que representa três vítimas, explica o andamento do processo.
"Não tem nenhuma previsão de sentença, não tem nada que possa dizer que nós estamos perto de uma decisão de primeira instância", diz.
Segundo o advogado especialista na área criminal Rafael Pereira, a pandemia pode ter contribuído para que os processos não avançassem na velocidade que as vítimas esperam.
"Tendo em vista que a pandemia começou um pouco após o caso Backer, em março de 2020, o próprio Judiciário teve uma suspensão de prazo por um período. Isso com certeza interferiu também e aumentou esse prazo das investigações, consequentemente no oferecimento da denúncia", explica.
Vítima
O engenheiro Luiz Felipe Teles Ribeiro comprou a cerveja em uma promoção de fim de ano e a bebeu durante uma reunião de família. No dia seguinte, começaram os primeiros sintomas.
“Não cessava, nem vômito, nem diarréia. Foi se agravando, até que no dia 26 eu fui para o hospital”, conta.
Foram quase seis meses internado, sendo 82 dias em coma. Enquanto lutava pela vida no hospital, o engenheiro perdeu o sogro, o bancário Paschoal Demartini, de 55 anos, que também havia consumido a cerveja da Backer.
"Ele passou mal, foi internado e, infelizmente, só suportou dez dias. No dia 7 de janeiro, ele veio a óbito. É muito triste saber que uma vida foi interrompida por negligência de um processo produtivo de um produto que compramos no supermercado", relembra.
Além de conviver com a tristeza pela morte do pai da esposa dele, Ribeiro afirma que nunca mais foi o mesmo.
"Foram várias sequelas. Entre elas a audição, que eu perdi 100%. Atualmente eu escuto por meio de aparelhos. Além disso, eu não tenho movimento nem sensibilidade nos pés, como também tenho dificuldades nos movimentos dos dedos da mão, que é toda a parte periférica do corpo", conta.















