Após Vale recusar auditoria, MP negocia revisão em barragem
Promotoria quer que a mineradora contrate uma empresa independente para monitorar a estrutura de Nova Lima (MG), que apresenta trincas
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) se reúne com a Vale, nesta quarta-feira (18), em Belo Horizonte, para negociar a assinatura de um documento que garante a contratação de uma empresa de auditoria independente para avaliar a segurança da barragem B5, na mina da Mutuca, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Este será o segundo encontro em dois meses para tratar sobre a situação do reservatório que apresenta trincas. Em 30 de outubro deste ano, representantes da mineradora se reuniram com promotores para falar do caso, mas se recusaram a assinar o termo de ajustamento de conduta, alegando que as rachaduras "não vêm apresentando evolução nem comprometem a segurança" da barragem.
Na última sexta-feira (13), o R7 revelou que a companhia de mineração reconhece que a estrutura apresenta trincas e que está minando água no local.
Dessa forma, a expectativa dos promotores é fazer com que a empresa se comprometa a adotar medidas que garantam a segurança do meio ambiente e da população que vive no entorno da mina.
“A proposta é fruto de longa negociação e apuração por meio de Inquérito Civil instaurado, no âmbito do qual o MPMG solicitou aos órgãos competentes – ANM (Agência Nacional de Mineração) e Feam (Fundação Estadual de Meio Ambiente) – uma vistoria, além de requisitar à Vale os mapas de dam break da mina”, destacou nota do MP estadual.
A reportagem entrou em contato com a Vale para comentar sobre a realização da reunião, mas aguarda retorno.
Barragem B5
A barragem B5 comporta atualmente 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos, quantidade semelhante à que vazou do reservatório de Brumadinho. Caso o muro de contenção entre em colapso, a lama de rejeitos atingiria o distrito turístico de São Sebastião das Águas Claras, conhecido como Macacos, e a captação de água em Bela Fama, no Rio das Velhas, responsável por 60% do abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte.
Cálculos apontam que 93 pessoas moram abaixo da estrutura, na chamada zona de autossalvamento. Nestes locais, não há tempo para que a população seja socorrida pelos órgãos de resgate. Os moradores precisam deixar a área sozinhos.
Monitoramento
De acordo com o MPMG, desde o rompimento em Brumadinho, a promotoria vem monitorando a segurança de outras barragens da mineradora Vale no Estado. Atualmente, a companhia já é obrigada a manter uma auditoria externa independente em 19 das 23 minas, fornecendo informações reais das estruturas aos órgãos de fiscalização. Além disso, 90 reservatórios vão passar por uma nova avaliação.
“Ainda, em relação a essas barragens, serão revistos os planos de ações emergenciais propostos pela Vale, de forma que os órgãos de Estado tenham os elementos técnicos necessários para averiguar a sua adequação”, explica a nota.
Além da mina da Mutuca, a empresa de mineração ainda precisa fechar o acordo com o MP em relação à mina Água Limpa, que fica em Rio Piracicaba, a 125 km de Belo Horizonte; e às minas Fábrica Nova e Del Rey, em Mariana, a 110 km da capital mineira.
Reportagem mostra trincas na barragem B5:















