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Áudio de aula de professor sobre racismo e feminismo gera polêmica 

Universidade informou, por meio de nota, que vai apurar as denúncias contra o docente e que não "tolera nenhum tipo de descriminação"

Minas Gerais|Daniela Fernandes*, do R7

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Um professor foi acusado de misoginia e homofobia após trechos de uma aula serem divulgados na internet. O caso aconteceu na última quarta-feira (22), em uma universidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

No áudio, há declarações do docente Fabiano Zica, como: "Não haveria escravidão se o negro não consentisse com ela, e nunca teve nada a ver com cor" e "Homem não é 'mimimi'. Mulher é 'mimimi', via de regra". 


O áudio de três minutos e trinta segundos foi feito a partir de cortes de uma aula, que durou mais de uma hora e 30 minutos,de acordo com o professor da disciplina de Filosofia e Ética. 

Na postagem do áudio, feita pelo canal "Não me Kahlo UNA Contagem", no Youtube, comentários se divergem em relação ao discurso e ao professor. Alguns alunos afirmam que estavam na aula e que o áudio foi manipulado. Outras pessoas se revoltam com as palavras do docente. 


O R7 tentou entrar em contato com Zica, mas ele não foi localizado. Em uma rede social, o professor se pronunciou, afirmando que as frases foram ditas dentro do contexto de hipóteses usadas para justificar como o preconceito é verbalizado. Confira o posicionamento na íntegra:

"Belo Horizonte, 23 de agosto de 2018 -


Em respeito a todos os alunos e ex-alunos para os quais ministrei e ministro aulas nos meus 7 anos de vida acadêmica, gostaria de esclarecer um fato que chegou a mim na manhã do dia 22 de agosto de 2018.

Na data supracitada, recebi o contato da diretoria da UNA Contagem informando-me sobre o desconforto de um estudante em relação à aula de Filosofia que ministrei na noite do dia 21 de agosto sobre o tema “Preconceito”.


Na aula ministrada, para explicar o contexto do conceito do Pré-conceito para e deixar claro que ele se constitui uma opinião errônea que é aceita passivamente sem passar pelo crivo do raciocínio ou da razão (conceito do filósofo Norberto Bobbio), citei hipóteses sobre julgamentos comumente usados em nossa cultura.

Ministrei uma aula de 1h30 discorrendo sobre o tema, que é bastante importante para os profissionais de qualquer área nos dias atuais. Sei que é um tema delicado e que trata do comportamento humano, sendo passível de entendimento errôneo, motivo pelo qual venho me posicionar.

Assim, venho informar:

1 – Esta aula de 90 minutos foi resumida por um estudante em 14 frases que, para serem pronunciadas não tomam mais que 2 minutos e que, se olhadas em separado, causam desconforto até a mim mesmo.

2 - Estas frases soltas e tiradas do contexto não refletem a minha opinião como ser humano e muito menos como professor.

3 – As frases citadas foram ditas dentro do contexto de hipóteses usadas para justificar como o preconceito é muitas vezes verbalizado e não como ponto de vista próprio.

Em 7 anos de academia nunca tive um problema de nenhuma ordem nem junto aos estudantes, colegas de trabalho ou direção das escolas por onde passei. Já ministrei aulas outras vezes com este mesmo tema e sempre recebi como feedback o que ouvi ontem de alunos que permaneceram todo o tempo na sala e disseram ter sido esta uma ótima aula.

Ressalto que minha paixão por ensinar e minha missão por compartilhar conhecimentos já foi reconhecida neste tempo pelos próprios estudantes (que em algum momento vivenciaram uma aula como a de ontem) o que resultou no meu nome indicado como paraninfo por várias vezes e como professor homenageado pelo menos outras 10 vezes. Agradeço as inúmeras manifestações de apoio que tenho recebido.

Por fim, reitero o que disse ao fim da aula da qual foram pinçadas as frases (e que quem estava em sala de aula escutou) - antes de ter um pré- conceito dedique-se à ter um conceito. Convido a quem quiser me conhecer, me conheça antes de ter em relação a mim um pré-conceito

Atenciosamente,

Professor Fabiano Zica"

A instituição de ensino declarou que não tolera nenhum tipo de discriminação. Confira a nota na íntegra:

“A Una não tolera qualquer tipo de discriminação em suas instalações e trabalha, diariamente, pela construção de espaços inclusivos e respeitosos para todas as pessoas. Apoiamos e nos orgulhamos de toda a diversidade que a Universidade abraça que, por sinal, se configura uma de suas principais características. Desta forma, vamos avaliar e apurar as denúncias recebidas e adotar as medidas cabíveis

* Estagiária do R7, com supervisão de Paulo Henrique Lobato

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