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Comerciante empresta carro para desconhecidos irem para o trabalho

Produtores de evento seguiam de Juiz de Fora para Barbacena (MG) quando o pneu do veículo deles furou e descobriram que o estepe estava vazio

Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

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Estepe emprestado não era compatível com o carro
Estepe emprestado não era compatível com o carro

As atrações do baile de debutante de uma adolescente foram salvas graças a um ato solidário, no mínimo incomum, de um comerciante.

Três produtores do evento seguiam para a festa em Barbacena, a 169 km de Belo Horizonte, quando o pneu do carro furou e descobriram que o estepe também estava vazio. Ao se deparar com a situação do trio desconhecido em sua lanchonete, à beira da estrada, o homem não pensou duas vezes para oferecer seu próprio veículo para a equipe seguir viagem.


O caso aconteceu no distrito Correia de Almeida, que tem 3.200 habitantes e fica entre Barbacena e Juiz de Fora, cidade de origem dos promotores de festa. Andreia Dourado, uma dos três trabalhadores, lembra que faltava aproximadamente 30 minutos de viagem quando o grupo teve um dos pneus cortados em um buraco na rodovia.

— Nós paramos em um posto de combustível para pedir ajuda e eles disseram que o posto seguinte teria mais estrutura. Lá eles também não tinham nada para fazer.


A mulher conta que não desistiu de encontrar uma solução para chegar a tempo no trabalho e resolveu perguntar à Aquiles Silveira, dono da lanchonete que fica no posto, se ele conhecia borracheiros que fazem atendimento 24 horas. A resposta foi negativa, mas o comerciante fez uma oferta que poderia salvar ela e os amigos.

— Aquiles ofereceu o estepe dele emprestado e eu disse que deixaria R$ 50 de garantia. Ele recusou o dinheiro e disse para eu deixar a roda no estacionamento quando voltasse do evento.


A alternativa, no entanto, não foi a solução para o problema, já que os modelos de pneus não eram compatíveis. Neste momento, o grupo tinha 40 minutos para chegar no aniversário e montar a cabine de foto instantânea pela qual eram responsáveis, além de preparar a dançarina. Novamente, Silveira se propôs a ajudar.

— Eu perguntei se ele [Silveira] conhecia algum motorista que pudesse nos levar até lá. Ele disse que não, mas falou que poderíamos ir no carro dele.


Inicialmente os produtores ficaram receosos com a oferta, mas Andreia conta que o comerciante insistiu na proposta e disse que não cobraria nada por isto.

Em conversa com o R7, o dono da lanchonete Rota 040, que fica no km 720 da BR-040, garantiu que não hesitou ao tomar a decisão. O comerciante não pediu para ficar com documento, dinheiro ou objeto dos viajantes como garantia. O homem conta que o trio deixou o veículo com um dos pneus furados no posto, mas sem as chaves. O grupo seguiu viagem com o estepe. O número de telefone da Andreia, o empresário só teve porque a produtora de eventos salvou o contato dele e enviou uma mensagem para deixar o dela registrado.

— Na verdade na hora eu não fiquei com medo. Vi que eles estavam arrumados para ir trabalhar. Eles pareciam ser boas pessoas, então eu emprestei meu carro.

Madrugada

A situação não gerou apenas desconfiança entre os funcionários, como também um desconforto na rotina da lanchonete, já que Silveira é responsável por levar sua equipe em casa após o expediente, que termina na madrugada.

— Eles perguntaram como nós íamos fazer para ir embora. Já era 1h, eu fui em casa de moto, peguei meu outro carro e voltei para buscá-los.

Até o comerciante chegar em casa, ele se manteve em contato com Andreia que fazia questão de atualizá-lo sobre a hora que voltariam. A produtora de eventos e os amigos encontraram uma borracharia 24 horas no caminho e colaram o estepe. Ao avisar que retornariam da festa no início da manhã, a mulher foi novamente surpreendida pela resposta de Silveira.

— Ele disse que poderíamos voltar para Juiz de Fora e entregar o carro depois, mas fizemos questão de ir até a casa dele.

Andreia, Emiliane e Maicon chegaram a tempo da festa
Andreia, Emiliane e Maicon chegaram a tempo da festa

Andreia afirma que fez de tudo para retribuir o comerciante, só não foi possível encher o tanque, uma vez que não encontraram um posto de combustível aberto. A produtora, que só tomou dimensão da história quando ela e os amigos já estavam a caminho da festa no carro do desconhecido, afirma que está muito grata.

— Eu achei indescritível e incomum. Pensamos em várias soluções para chegar lá, mas não usar o carro de outra pessoa. Ele salvou o nosso dia de trabalho.

Silveira, que não viu nada de inusitado em seu gesto, diz que também ficou grato em ter ajudado.

— Se for preciso, eu faço de novo. Na hora.

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