‘Como eu vivo agora?’, diz artesã agredida por influenciador em condomínio de BH
Vítima teve dedo quebrado, hematomas pelo corpo e afirma ter sido ameaçada de morte
Minas Gerais|Michelyne Kubitschek, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

“Eu estou sem chão, sem saber o que fazer.” O relato é de Élvia Marques, artesã de 58 anos agredida durante uma confusão dentro de um condomínio no bairro Salgado Filho, na Região Oeste de Belo Horizonte. Com hematomas pelo corpo e um dedo quebrado, ela contou à RECORD Minas que, além das consequências físicas da agressão, está com medo após as ameaças que afirma ter recebido.
Élvia vive da produção e venda de peças artesanais, principalmente trabalhos de crochê. Por causa da fratura em um dos dedos, ela afirma que está impossibilitada de trabalhar. Segundo a moradora, o médico recomendou um afastamento inicial de 15 dias.
“Eu preciso de trabalhar, não tem como. Médico me pediu 15 dias porque quebrou meu dedo”, contou. “Eu preciso de vender, eu preciso de fazer meus artesanatos. O que eu faço agora?”, desabafou.
Além da fratura, Élvia afirma estar com hematomas nos braços e no pescoço e sentir dores pelo corpo. A possibilidade de precisar passar por uma cirurgia no dedo ainda será avaliada.
Mas, segundo a artesã, o medo de novas agressões é o que mais preocupa. Ela afirma que vinha recebendo ameaças desde antes da confusão e que Luiz Moreira e a companheira dele, Lina Raquel, teriam dito que a matariam.
“Falou que vai me matar, assim que eles saírem da cadeia, eles vão me matar. Gente, eu estou com medo de lá fora. Como que eu faço na minha vida?”, afirmou.
Abalada, Élvia disse que teme sair de casa e pediu que o casal não seja colocado em liberdade. “Eu preciso de ter paz para trabalhar. Eu tô com medo de lá fora, de sair. Eu tô com muito medo desse homem sair, dessa mulher sair da delegacia.”
Segundo a moradora, até o cachorro que estava com ela no momento da confusão foi atingido. “Meu cachorro levou um soco na hora”, contou. Ela afirma ainda que, durante as agressões, ficou desorientada e não consegue se lembrar de tudo o que aconteceu.
“Eu só sei que eu estou toda machucada hoje, meu dedo quebrado. Eu não sei, gente, eu estou desorientada. Eu não quero que esse homem saia da delegacia. Por favor, me ajudem”, disse.
Agressões foram registradas por câmeras
Câmeras de segurança registraram parte da confusão. Nas imagens, Luiz Moreira aparece agredindo Élvia. Em seguida, Lina Raquel também se envolve na briga, até ser contida por outras pessoas que estavam no condomínio.
Em outro momento, Luiz aparece na garagem danificando um carro. Ele golpeia os retrovisores e usa um carrinho de compras para atingir o veículo. O automóvel pertence a Élvia e, segundo ela, tem apenas três meses de uso e ainda está sendo financiado.
“Eu tenho que pagar a parcela dele, eu tenho que pagar o seguro do carro. É tudo muito caro”, lamentou. “Eu só sei que eu tenho muita dívida agora para pagar. Como que vai consertar o carro? Como que vai fazer? Eu não sei.”
Moradores deixaram o prédio durante a confusão e acionaram a Polícia Militar. Luiz Moreira e Lina Raquel foram presos. O flagrante foi ratificado e, segundo as informações repassadas à RECORD Minas, os dois aguardavam audiência de custódia.
Confusão teria começado por disputa envolvendo apartamento
Segundo relatos dos moradores, a confusão estaria relacionada a um apartamento que pertenceu ao casal e foi levado a leilão por um banco em 2023. Posteriormente, o imóvel passou para outra proprietária.
Ainda de acordo com os moradores, mesmo após o leilão, o apartamento teria continuado sendo anunciado e alugado pelos antigos proprietários.
Aloísio Cruz mora no imóvel há cerca de quatro meses com o marido. Ele contou à RECORD Minas que saiu do Maranhão para viver em Belo Horizonte e que não sabia que o apartamento havia sido leiloado quando assinou o contrato de locação.
Após os moradores tomarem conhecimento da situação, os mecanismos de acesso ao condomínio foram alterados para impedir a entrada dos antigos proprietários. Luiz e Lina teriam descoberto a mudança e ido até o prédio, onde começou a confusão.
Élvia afirma que não tinha envolvimento direto na disputa pelo imóvel. Segundo os relatos, ela havia cedido temporariamente uma vaga de garagem relacionada ao apartamento.
Agora, além do prejuízo material e dos ferimentos, a artesã diz temer o que pode acontecer depois que o casal deixar a prisão.
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