Conselho Estadual de Saúde de Minas critica uso da cloroquina
Em posicionamento oficial, entidade criticou novo protocolo adotado pelo Ministério da Saúde que autoriza prescrição para pacientes com sintomas leves
Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7

O CES-MG (Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais) recomendou que a Secretaria de Estado de Saúde oriente médicos e instituições a não prescrever o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para pacientes com sintomas leves de covid-19, como recomenda o protocolo atual do Ministério da Saúde.
A exemplo do Conselho Nacional de Saúde, o CES-MG se posicionou contrário à deliberação da pasta. Segundo a instituição, não houve observação do ministério em relação aos "efeitos colaterais e de estudos científicos de eficácia da medicação, que, até o momento, apresentam-se incipientes e divergentes quanto a administração em pacientes com diagnóstico da Covid-19".
Ainda de acordo com o CES-MG, também não há respaldo técnico de instituições renomadas do país, como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), além de universidades e instituições de ensino e pesquisa.
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Segundo posicionamento divulgado nesta quarta-feira (27), "o CES-MG reitera que todos os protocolos de administração de medicamentos em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) devem ser guiados pela Ciência. É inaceitável que cidadãs e cidadãos do Brasil sejam expostas/os a qualquer tratamento terapêutico que não tenha sido submetido ao crivo do rigor científico".
Recomendação
Nesta semana, dois Procuradores do MPF (Ministério Público Federal) e dois promotores do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) em Uberlândia, a cerca de 480 km de Belo Horizonte, assinaram uma recomendação ao Governo de Minas para que comprem os medicamentos e distribuam para 46 municípios das regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Eficácia
O uso da cloroquina como forma de tratamento farmacológico contra a covid-19 não tem eficácia comprovada. Um estudo da Universidade de Harvard com 96 mil pessoas, divulgado na última semana, concluiu que o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina em pacientes com o novo coronavírus, mesmo quando associados a outros antibióticos, aumenta o risco de morte por arritmia cardíaca em até 45% nos pacientes.
Nesta segunda-feira (25), o diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a entidade paralisou um estudo sobre o uso da hidroxicloroquina para pacientes com coronavírus. Segundo ele, haverá agora uma avaliação sobre o medicamento, para se decidir se esses estudos serão retomados ou devem ser interrompidos de modo permanente
















