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De cronograma a cômodo lacrado: veja o que foi achado em sítio que seria usado como cativeiro em MG

Polícia acredita que responsável pela chácara em São Joaquim de Bicas tenha fugido pouco antes da chegada das equipes

Minas Gerais|Shirley Barroso e Pablo Nascimento, da Record TV Minas

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Polícia encontrou calendário, lixo espalhado e mau cheiro no local
Polícia encontrou calendário, lixo espalhado e mau cheiro no local

As buscas no sítio supostamente usado como local de cárcere para famílias em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte, evidenciaram um cenário de sujeira e mau cheiro, e com detalhes que chamaram a atenção da polícia, durante operação nesta quinta-feira (2).

Um deles é a existência de um cômodo lacrado, que só tinha acesso possível por meio de uma pequena janela na parte superior. O Corpo de Bombeiros, que acompanhou a operação, quebrou uma parede para ter acesso ao espaço. Lá dentro, havia um vaso sanitário, madeiras e um aparelho de televisão.


Cronograma indica horário de atividades
Cronograma indica horário de atividades

A equipe da Record TV Minas acompanhou a vistoria das forças de segurança no local. A repórter Shirley Barroso encontrou um cronograma escrito a caneta, na porta de um armário. O texto indicava horários de dormir, acordar e alimentação. A polícia ainda não tem detalhes sobre o objetivo do calendário.

A chácara é formada por terreno extenso, que abriga diversas construções não concluídas. A polícia acredita que um dos responsáveis pelo espaço tenha fugido pouco antes da chegada dos agentes. Um dos barracões foi encontrado aberto, com a TV ligada e comida estragada no ambiente. No espaço também havia roupas de crianças e brinquedos espalhados. Colchões foram encontrados no chão.


No início da tarde, o Corpo de Bombeiros entrou com os cães de buscas da corporação para vistoriar a área, já que a polícia recebeu ao menos duas ligações que informavam que há um corpo enterrado no local. Ele seria o marido de Kátia Cristina Alves Robes, de 30 anos, a mãe das crianças abandonadas. A família não tem informações sobre o paradeiro do homem.

Veja o que está escrito no cronograma encontrado no sítio:


7h: acordar os meninos;

7h30: mandar eles subirem para tomar café na cozinha;


8h: café da manhã;

12h: almoço;

12h30: descansar e dormir;

18h30: jantar; e

19h: dormir.

Veja fotos do sítio onde famílias seriam mantidas em cárcere privado:

Histórico do caso

A polícia realizou buscas no sítio após um representante de Kátia dizer que outras crianças possivelmente estariam sendo mantidas em cárcere no local.

Kátia está presa desde o dia 6 de fevereiro, sob suspeita de ter matado o filho de 4 anos por espancamento. A mulher vivia no sítio com a família. A proprietária da chácara seria Terezinha Pereira dos Santos, de 53 anos, que ainda não foi localizada.

No dia 21 de fevereiro, dois meninos abandonados foram achados dentro de um apartamento no bairro Lagoinha, na região noroeste de Belo Horizonte. A polícia descobriu que eles são filhos de Kátia. Os garotos, de 9 e 6 anos, disseram que estariam sob responsabilidade de Terezinha.

Depois disso, Kátia afirmou aos advogados que era mantida em cárcere no síto por Terezinha. A mulher de 30 anos conta que conheceu Terezinha na rodoviária de Belo Horizonte quando chegou à cidade e recebeu uma oferta de emprego dela.

Kátia disse aos advogados que vivia no local há aproximadamente dois anos e era impedida de sair sozinha. Ela contou, ainda, que era separada dos filhos durante o dia e não sabia o que acontecia com as crianças.

Sobre a morte do filho Emanuel Alves Robes, a presa disse que encontrou o filho com lesões pelo corpo ao acordar. Nesse momento, Terezinha teria sugerido que ela levasse a criança ao hospital, alegando que ele estaria passando mal.

Kátia também disse que, após ficar fora do sítio durante duas semanas, por orientação de Terezinha, não encontrou o marido ao retornar. Nesse momento, ela teria sido informada de que o homem havia morrido de Covid-19, mas não tem informações sobre o corpo.

A Polícia Civil investiga o caso. A reportagem não localizou representantes de Terezinha.

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