Delegado do Detran é preso suspeito de cobrar propina em Minas
Chefe do Departamento de Trânsito de Varginha é um dos 21 alvos da operação do MP; grupo teria arrecadado R$ 50 mil por mês com golpes
Minas Gerais|Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de Minas Gerais, deflagrou na manhã, desta quinta-feira (5), a Operação Êxodo 23 para coibir um esquema de venda de facilitações no Detran de Varginha e Elói Mendes, no Sul do Estado. Dezesseis mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão foram autorizados pela Justiça.
Entres os presos, está o delegado do Detran (Departamento de Trânsito) de Varginha, Antônio Carlos Buttignon, apontado pelo Gaeco como o chefe da organização criminosa que arrecadava R$ 50 mil por mês de propina, segundo estimativa dos investigadores. O delegado é acusado dos crimes de corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informação e organização criminosa. Foram presos policiais civis, servidores do Detran e despachantes.
Segundo a investigação, o esquema de propina era usado para favorecimentos em investigações envolvendo desmanches de veículos, retirada das anotações de sinistro dos documentos de veículos montados com peças produto de crime, além de atestados falsos de vistorias não realizadas e agilização na expedição de documentos veiculares.
O inquérito aponta que em apenas cinco dias, 221 veículos foram vistoriados de forma irregularer, sem a entrada dos mesmos no pátio do Detran. Para os investigadores, tais números evidenciam da magnitude do esquema. De acordo o Gaeco, Buttignon lidera o esquema de percepção de vantagens indevidas nos diversos setores do Departamento de Trânsito.
"É o responsável pela assinatura dos certificados de registro e licenciamento de veículos emitidos a partir de vistorias ideologicamente falsas. Recebe parte das vantagens indevidas pagas no setor de vistorias (para que não sejam realizadas, mas apenas atestadas) e no setor de emissão (para agilização). Igualmente recebe vantagens indevidas para a liberação ilegal de veículos apreendidos. Lado outro, solicita o pagamento de vantagens indevidas durante plantões para favorecer presos", diz trecho da denúncia.
A Polícia Civil, que é responsável pelo Detran, foi procurada para comentar a operação e informou que vai se manifestar em breve. A reportagem tenta contato com a defesa do delegado.















