‘Destruiu uma família’: Filho acusado de matar a mãe a facadas é julgado em Belo Horizonte
Conselho de Sentença é formado por quatro mulheres e três homens; seis testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento
Minas Gerais|Cler Santos, do R7
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Começou na manhã desta quinta-feira (6), em Belo Horizonte, o julgamento de João Victor Silveira Vilaça, acusado de matar a própria mãe, Débora Silveira Vilaça, de 58 anos, com golpes de faca. O crime aconteceu em outubro de 2024, dentro do apartamento da família, no bairro Silveira, na Região Nordeste da capital mineira.
O Conselho de Sentença foi formado por quatro mulheres e três homens. Ao longo do julgamento, seis testemunhas devem prestar depoimento. João Victor está preso e é representado pela Defensoria Pública.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu em 31 de outubro de 2024. A acusação sustenta que João Victor atacou a mãe depois que ela se recusou a emprestar o carro e tentou impedi-lo de sair de casa para comprar drogas.
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O MP afirma que o feminicídio foi cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Débora teria sido surpreendida dentro da própria residência, sem possibilidade de reagir. O laudo de necropsia apontou que ela morreu em decorrência de ferimentos provocados por arma branca.
João Victor também é acusado de descumprir uma medida protetiva que o impedia de se aproximar da mãe. De acordo com o processo, após o crime, ele teria levado o carro, cartões bancários e dois televisores da vítima. Os aparelhos teriam sido vendidos, e o dinheiro, trocado por drogas. O cartão de Débora também teria sido utilizado em uma compra de R$ 95.
Na decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri, a Justiça considerou que havia provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Impressões digitais encontradas no local, conforme a perícia, apresentaram correspondência com as de João Victor.
A defesa pediu, durante o andamento do processo, a retirada das causas de aumento relacionadas ao descumprimento da medida protetiva e ao motivo torpe. Também solicitou o afastamento de agravantes por entender que poderia haver dupla punição pelo mesmo fato. As circunstâncias apresentadas pela acusação serão analisadas pelos jurados.
João Victor está preso desde 1º de novembro de 2024. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva no dia seguinte e mantida pela Justiça durante a tramitação do processo.
Relembre o crime
Débora Silveira Vilaça foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, no bairro Silveira, após familiares estranharem a falta de contato. A irmã da vítima chamou um chaveiro para abrir a porta do imóvel e encontrou marcas de sangue pela residência antes de localizar o corpo.
Segundo a Polícia Militar, João Victor fugiu após o crime levando o carro da mãe, televisores e cartões bancários. Ele foi encontrado no dia seguinte em uma distribuidora de bebidas próxima ao Aglomerado da Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O veículo foi localizado após a placa ser identificada por câmeras de monitoramento da cidade.
Na época, antes de ser encaminhado à delegacia, João Victor falou com a equipe da RECORD Minas e admitiu o ataque. “Estou arrependido, mas tenho que mostrar minha cara aqui, para vocês verem o exemplo do que a droga faz com a pessoa”, declarou.
O pai do acusado e viúvo de Débora, Hélio Vilaça, afirmou, em entrevista concedida antes do julgamento, que esperava uma decisão justa. “Que ele pague tudo o que fez, o tempo que for necessário, porque foi muito cruel. Ele tirou a vida da pessoa que eu mais amei e que amava ele também. Ele destruiu uma família”, desabafou.
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