Diretores da Vale receberam e-mail de alerta sobre barragens, diz jornal
The Wall Street Journal indica que mensagem foi enviada duas semanas antes do rompimento do reservatório de Brumadinho; Vale confirma mensagem
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

Uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal, publicada nesta segunda-feira (4), diz que os principais executivos da mineradora Vale receberam um e-mail anônimo alertando sobre a situação das barragens da empresa, duas semanas antes do rompimento do reservatório de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.
A publicação indica que o então presidente-executivo Fabio Schvartsman, após receber a mensagem, convocou três colegas da empresa para descobrirem quem havia escrito o e-mail. De acordo com a matéria, Schvartsman teria se referido ao autor da mensagem como um “câncer”.
A reportagem aponta ainda que o e-mail intitulado de “A Verdade” afirmava que a companhia enfrentava “grandes desafios pela frente” e que as operações da empresa não teriam “o nível mínimo de investimento adequado”, faltando mão de obra nas operações, manutenção e engenharia. O autor da mensagem ainda teria destacado que as barragens de rejeito da Vale estaria em “seus limites”.
Ao R7, a mineradora confirmou, nesta terça-feira (5), a existência do e-mail e destacou que os relatos sobre as barragens aparecem “em meio a outros assuntos, de forma genérica e sem evidências”. A mensagem não teria citado especificamente a situação da estrutura de Brumadinho.
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Sobre as estruturas “no limite”, a companhia informou que o termo foi compreendido como “como referência ao limite de capacidade licenciada das barragens”. Em nota, a Vale também negou a falta de investimentos apontada.
A defesa do ex-presidente da Fabio Schvartsman disse que ele sempre deu encaminhamento a denúncias recebidas "com apontamentos concretos sobre falhas ou desvios, como demonstrado nos inúmeros documentos compartilhados com as autoridades públicas. E que o e-mail em questão "não tratava de fatos específicos ou apontava problemas concretos em barragens".
"A falta de consistência da mensagem foi reconhecida por Ricardo Baras, Diretor de Auditoria Interna da Vale e Alexandre Aquino Ouvidor Geral da Vale, em depoimentos para o ministério público estadual de Minas Gerais, onde reconheceram a manifestação do denunciante como de má-fé", concluiu a nota.
Segundo documentos da investigação policial a qual o jornal teve acesso, Schvartsman disse, em depoimento que acredita que o e-mail anônimo tenha sido escrito por algum funcionário que estava descontente com sua gestão.
Veja a íntegra da nota da Vale:
"A Vale esclarece que o e-mail mencionado foi devidamente analisado pela Ouvidoria da empresa. A questão das barragens aparece, em meio a outros assuntos, de forma genérica e sem evidências.
O termo “barragens no limite” foi compreendido como referência ao limite de capacidade licenciada das barragens, o que já vinha sendo endereçado pela empresa como, por exemplo, com a expansão das operações com processamento a seco.
As menções à suposta carência de investimentos e redução de custos também são genéricas e infundadas. Os recursos aplicados na manutenção das operações no Brasil apresentaram crescimento significativo nos anos de 2017 e 2018, atingindo R$ 14,5 bilhões no ano passado. Os investimentos em gestão de barragens no Brasil vêm sendo reforçados continuamente. O orçamento aprovado em 2018 prevê investimentos de R$ 256 milhões em 2019, um crescimento de cerca de 180% em relação a 2015.
Diante desse contexto, a denúncia foi à época classificada como genérica, uma vez que não mencionava, de forma objetiva, nenhum fato certo e concreto, conforme já foi declarado ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais."















