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Entidades de cerveja artesanal abrem guerra contra a Backer

Declaração de advogado da cervejaria envolvida em intoxicação, de que outras marcas estariam contaminadas, foi o estopim para retaliação  

Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7

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Investigação contra a Backer completou dois meses
Investigação contra a Backer completou dois meses

Depois de declarar que cervejas de outras marcas, além da Backer, também teriam "traços" de substâncias tóxicas, a cervejaria envolvida em caso de contaminação por dietilenoglicol, virou alvo para entidades representativas do setor. Ao menos duas delas já se manifestaram sobre a declaração. 

A Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal) cogita entrar com uma ação judicial contra a Backer. Já o Sindbebidas-MG (Sindicato da Indústria de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais) abriu processo para descredenciar a empresa. Com isso, ela pode perder, entre outras coisas, a assessoria técnica disponibilizada pela entidade. A Backer tem direito a defesa. 


Na última quarta-feira (4), representantes da cervejaria estiveram em uma audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte para prestar esclarecimentos sobre o caso. Até o momento, são 38 notificações e 11 casos confirmados. 

Durante seu depoimento, o advogado da Backer, Estevão Nejm, confirmou que a cervejaria fez testes em marcas de outras cervejas e constatou que havia traços de mono e dietilenoglicol em todas elas. Os laudos não foram apresentados durante a audiência. 


— Foram feitas outras análises e essas análises mostram traços, que eles chamam de sinais instrumentais, de mono e dietilenoglicol em várias outras marcas de cerveja.

Em resposta enviada ao R7, a Backer confirmou que realizou análises independentes de 40 rótulos de cervejas em três laboratórios — dois em Minas Gerais e um em São Paulo. 


No dia seguinte à declaração de Nejm, a Backer enviou uma nota à imprensa afirmando que "jamais acusou outras cervejas por contaminação" e que iniciou por conta própria um trabalho de investigação para entender o contexto "e auxiliar as investigações oficiais".

Segundo a Backer, o objetivo das análises era "estabelecer parâmetros que pudessem indicar alguma resposta".


"As análises realizadas comprovaram a presença de traços de dietilenoglicol e/ou monoetilenoglicol em todas as amostras pesquisadas, inclusive nas da Backer. Por isso, somente a análise qualitativa, realizada pela Polícia Civil e pelo MAPA até o presente momento, não é suficiente para identificação de contaminação de um produto. Nesse caso, não se pode falar em contaminação e sim que foram encontrados traços dessas substâncias nas amostras pesquisadas. O simples fato de existir essa substância na cerveja não torna o produto impróprio para o consumo", diz a nota da empresa.

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) discorda da avaliação da empresa. "Cabe ressaltar que ambos contaminantes são tóxicos e não podem estar presentes na composição da cerveja", disse em comunicado. 

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