Ex-policiais acusados de matar tio e sobrinho são condenados a 23 anos de prisão
Penas dos réus deverão ser cumpridas em regime inicialmente fechado
Minas Gerais|Do R7

Os dois ex-policiais acusados de matar tio e sobrinho, em 2011, no Aglomerado da Serra, na região centro-sul de Belo Horizonte, foram condenados a 23 anos e seis meses cada pelos crimes de homicídio qualificado e porte irregular de armas de fogo. A sentença de Jason Ferreira Paschoalino e Jonas David da Silva foi dada no final da noite dessa quinta-feira (20), no 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, no Fórum Lafayette.
Conforme decisão lida pelo juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga às 22h, as penas dos réus deverão ser cumpridas em regime, inicialmente, fechado devido à grande comoção causada pelo crime à sociedade, que inclusive motivou intensas manifestações na Serra. O magistrado ainda afrimou que a pena imposta aos militares não representa uma reprimenda à corporação, mas serve de alerta à conduta dos policiais nas ruas. Carlos Henrique também determinou que os réus continuem presos para aguardarem a fase de recurso.
Foi o promotor Francisco Rogério Barbosa Campos quem representou o Ministério Público e conduziu a acusação dos ex-policiais. Ele contou com dois assistentes, os advogados Robson Bartolomeu da Costa e Flávio Gibson de Alvarenga.
O julgamento durou três dias, quando onze testemunhas, sendo quatro da acusação e sete da defesa, foram ouvidas em plenário. As demais testemunhas que haviam sido arroladas foram dispensadas.
Os crimes
Os ex-soldados são acusados de matar o enfermeiro Renilson Veriano da Silva, 37 anos, confundido com um traficante, e o sobrinho da vítima, Jefferson Coelho da Silva, 17, que tentou socorrer o tio e também foi atingido com tiros de fuzil à queima roupa. Os ex-policiais, que afirmam terem sido recebidos a tiros, são acusados ainda de alterar o local do crime para forjar um tiroteio com traficantes.
Pela morte de Renilson, eles respondem por homicídio duplamente qualificado - motivo fútil e emprego de recurso que impossibilitou defesa da vítima. Quanto ao crime contra Jefferson, as qualificadoras são assegurar a impunidade da morte do tio e recurso que impossibilitou a defesa. Jason e Jonas respondem ainda por porte ilegal de arma de fogo. Somadas, as penas podem chegar a 130 anos.
Os policiais foram pronunciados em outubro de 2011. Na ocasião, o juiz sumariante do 1º Tribunal do Júri manteve as prisões para garantia da ordem pública. Atualmente, ambos estão presos no presídio de São Joaquim de Bicas.















