Falsa representante de clínica de vacina teria enganado 18 famílias
Polícia Civil calcula que suspeita teria lucrado R$ 36 mil com golpes em Belo Horizonte e em Contagem, na região metropolitana
Minas Gerais|Akemí Duarte, Da RecordTV Minas
A Polícia Civil de Minas Gerais já identificou 18 famílias que foram vítimas do golpe da vacinação infantil no estado. Uma estelionatária se passava por representante de clínicas e agendava a imunização em domicílio contra doenças como febre amarela e meningite, enganando pais e unidades de saúde.
Com o início das investigações, seis pessoas, entre vítimas e funcionários das clínicas, foram ouvidas. Estima-se que o prejuízo totalize cerca de R$ 36 mil. A autora dos golpes, de 28 anos, ainda vai prestar depoimento.

Duas clínicas, uma em Belo Horizonte e outra em Contagem, na Grande BH, já foram identificadas pela polícia como vítimas da mulher.
Segundo a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina, a falsária recebia o pagamento das famílias via Pix, agendava o atendimento em domicílio em clínicas privadas em nome da criança que receberia a vacina e, depois, apresentava um comprovante falso para o agendamento. O serviço ia até casa da família e aplicava a primeira dose, mas quando percebia que o pagamento não existia, a empresa não voltava para aplicar a segunda.
Com isso, a polícia acredita que mais pessoas foram vítimas do golpe, já que muitas crianças tomaram dose única ou ainda não voltaram para tomar a segunda dose.
Em coletiva realizada nesta quarta-feira (16), o delegado Guilherme Santos afirmou que a suspeita vacinou a própria filha em uma das clínicas lesadas. “A gente acredita que ela usou isso como uma forma de entender como a clínica trabalhava e a partir daí, conseguiu identificar uma forma de aplicar esse golpe”, explica.
A mulher entrava em contato com as vítimas e se apresentava como representante de uma clínica, ou alegava que tinha um parente que era funcionário nos locais e fornecia os imunizantes. O esquema ganhou visibilidade depois que uma influenciadora digital foi vítima. A blogueira chegou a divulgar para os seguidores a oferta e outras mães caíram no golpe.
O delegado ressalta que a influenciadora também é uma vítima da estelionatária. “Parceria é uma atividade normal, uma atividade comum. Não há qualquer investigação ou qualquer entendimento de conduta irregular por parte da pessoa que teria feito essa parceria”, reforça Santos.
"A polícia também tem tratado tanto as mães, quanto as clínicas como vítimas", explicou o delegado. Diante do caso, onde as unidades também foram lesadas ao aplicar vacinas sem ter recebido por elas, uma preocupação das investigações é como completar o ciclo vacinal das crianças imunizadas.
A suspeita ainda será ouvida pela Polícia Civil e a investigação também vai apurar se a mulher tem outros comparsas, porque alguns depósitos foram feitos em contas de terceiros. "Em uma segunda, etapa a polícia vai tentar entender qual é a participação dessas pessoas, se elas tinham algum envolvimento ou não", diz o delegado.
Como se prevenir de golpes
Durante a coletiva, a Polícia Civil deu dicas de como as famílias podem se prevenir de casos como esse. O delegado Clayton Ricardo da Silva, afirma que é sempre importante checar com a clínica se aquela pessoa é mesmo uma representante, se trabalham com esse tipo de serviço.
Também é necessário checar o nome da conta em que se faz o depósito. "Dificilmente uma pessoa física vai ser beneficiada de um depósito que é destinado ao pagamento de um serviço prestado por uma pessoa jurídica", alerta Silva.















