Filho que confessou matar a mãe em BH é excluído do inventário pela Justiça
Magistrado declarou a indignidade de Matteos Campos para fins sucessórios, impedindo que ele participe da divisão dos bens
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7
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A Justiça de Minas Gerais determinou a exclusão de Matteos França Campos da herança da mãe, a professora Soraya Tatiana Bonfim França, assassinada em julho de 2025, em Belo Horizonte. A decisão foi proferida pelo juiz Antônio Leite de Pádua, da 4ª Vara de Sucessões e Ausência da capital, após ação movida por familiares da vítima.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o magistrado declarou a indignidade de Matteos para fins sucessórios, impedindo que ele participe da divisão dos bens deixados pela mãe. A medida foi tomada mesmo sem o encerramento definitivo da ação penal que apura o homicídio.
Família pediu exclusão da herança
Na ação, os familiares argumentaram que Matteos confessou à Polícia Civil ter matado a própria mãe por asfixia mecânica no dia 18 de julho de 2025. Diante da gravidade do caso, solicitaram que ele fosse declarado indigno para receber qualquer parte da herança.
A defesa do acusado sustentou que uma eventual condenação criminal já produziria automaticamente os efeitos de exclusão sucessória, tornando desnecessária a ação na esfera cível. Também pediu a suspensão do processo até o trânsito em julgado da ação penal.
No entanto, o juiz rejeitou os argumentos. Na decisão, destacou que as esferas cível e criminal são independentes e que os interessados têm o direito de buscar judicialmente a declaração de indignidade, independentemente do andamento do processo penal.
Confissão foi decisiva
Ao fundamentar a sentença, o magistrado afirmou que a autoria e a materialidade do crime ficaram evidenciadas nos autos. Segundo a decisão, Matteos confessou detalhadamente o homicídio durante depoimento à polícia e não apresentou contestação sobre os fatos atribuídos a ele.
Com isso, a Justiça julgou procedente o pedido dos familiares e determinou sua exclusão da sucessão da professora.
Relembre o caso
Soraya Tatiana Bonfim França, de 56 anos, foi encontrada morta após desaparecer em julho do ano passado. De acordo com as investigações, ela foi assassinada dentro do apartamento onde morava com o filho, no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha.
Em depoimento, Matteos afirmou que perdeu o controle durante uma discussão relacionada a dívidas acumuladas em jogos de azar e enforcou a mãe. Após o crime, ele colocou o corpo da vítima no carro dela e o abandonou sob um viaduto em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em seguida, viajou com amigos para a Serra do Cipó.
Preso após confessar o assassinato, Matteos teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia. O processo criminal tramita sob segredo de Justiça.
Soraya era professora de História em uma escola tradicional da capital mineira e era conhecida por alunos e colegas como “Tia Tati”. Amigos a descreviam como uma pessoa reservada e dedicada à educação.
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