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Governo de Minas e mineradoras se aliaram para liberar licenciamentos

Relatório feito pela Controladoria-Geral do Estado aponta que as votações de representantes no Conselho de Atividades Minerárias coincidiam

Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7

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Barragem de Brumadinho se rompeu em 25 de janeiro deste ano
Barragem de Brumadinho se rompeu em 25 de janeiro deste ano

Representantes de órgãos do Governo de Minas se uniram às mineradoras para aprovar projetos que precisavam de maioria para passar no CMI/COPAM (Câmara e Atividades Minerárias do Conselho Estadual de Política Ambiental). É o que mostra um relatório elaborado pela CGE (Controladoria-Geral do Estado).

Toda proposta deve passar pelo crivo da CMI para que possa ter o licenciamento ambiental concedido pela Semad (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável). 


"Os resultados apontam uma forte correlação (acima de 90%) entre o total de votos favoráveis e aqueles pela aprovação de uma determinada pauta por todos os agentes da CMI, com exceção basicamente do representante da FONASC/CBH, do CEFET e do IBAMA", diz o relatório do CGE. 

O Fonasc/CBH é o Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas e tem um assento no colegiado. A entidade representa os setores da sociedade civil e de movimentos sociais e votou a favor das pautas dos empreendimentos em nos de 10% das reuniões. 


Composição

O CMI é composto por 12 assentos, divididos entre os poderes públicos estadual (quatro) e federal (dois), representantes da sociedade civil ligada às atividades minerárias (três), entidade civil ligada às atividade minerárias (uma), entidade civil ligada ao ensino (uma), além de ONG (uma). 


Segundo o CGE, a proporção das cadeiras é desequilibrada. Pelas contas, apenas os votos dos representantes do Governo de Minas e das empresas mineradoras somariam sete votos, o suficiente para aprovar a pauta na reunião, mesmo que as demais entidades votassem contra. 

De acordo com o relatório, "todas as pautas apresentadas à CMI foram aprovadas por ampla maioria (mais de 2/3) dos membros, quando relacionadas à concessão ou indeferimento de licenças." A CGE ainda levantu uma forte correlação de votos, principalmente entre representantes do Governo Estadual, do setor produtivo-minerário e a entidade civil ligada à atividade minerária. 


Recomendações

A conclusão da CGE é que a Semad deve reavaliar a composição da CMI, "incluindo-se membros da área social do Governo de Minas Gerais e de novos agentes da sociedade civil Em algumas pautas mais sensíveis, pode-se exigir maioria absoluta ou qualificada ao invés da maioria simples atualmente exigida". 

Outra preocupação da Controladoria é com o fato de que a Semad deveria exigir documentos específicos das empresas mineradoras, incluindo atualizaçõs de segurança e estabilidade das barragens, o que já ocorre no âmbito federal, com a ANM (Agência Nacional de Mineração). 

A CGE também recomenda a adoção de medidas de certificação e de treinamento continuado dos membros da CMI.

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