Governo Pimentel denuncia perda de R$ 13 milhões com remédios vencidos
Medicamentos estavam com empresa de logística contratada pela gestão anterior
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

Enquanto milhares de pacientes sofrem com a falta de remédios em postos de saúde, o Governo de Minas jogou fora R$ 13 milhões em medicamentos vencidos que não foram distribuídos em 2014. As caixas já estavam no depósito da empresa contratada pelo Estado para distribui-los na rede pública mas, por algum motivo, não chegaram às prateleiras dos hospitais e perderam a validade.
A situação foi descoberta por funcionários da Secretaria de Saúde a pedido do governador Fernando Pimentel (PT), que determinou um pente-fino em contratos da gestão anterior, dos governadores Antonio Anastasia (PSDB) e Alberto Pinto Coelho (PP).
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Os remédios estavam guardados em depósito da Saúdelog, empresa de logística que firmou contrato com a gestão anterior para a distribuição de medicamentos. A área total de remédios em estoque fora do prazo de validade era de 600 metros cúbicos, o que para a secretaria, representa "uma estratégia equivocada de aquisição e distribuição".
Segundo Helvécio Magalhães, secretário de Planejamento e Gestão, faltam 123 tipos de remédios obrigatórios na rede pública. Doze destes são do grupo de alto risco, essenciais para pacientes em estado grave.
— Enquanto encontramos os medicamentos vencidos, estamos vivendo uma situação de desabastecimento. O Estado fez a Farmárica de Minas [programa de distribuição de medicamentos] sem nada dentro.
Magalhães negou que a auditoria tenha caráter revanchista pelo grupo político adversário.
— Não se trata de culpar nenhum dirigente ou ex-governador. Todos os contratos estão sendo avaliados pela Controloladoria Geral do Estado, que segue o devido processo legal. A situação financeira é gravíssima.
Tucanos rebatem
Pelo Facebook, o senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB) subiu o tom ao afirmar que "é lamentável assistir ao espetáculo protagonizado, hoje, pelo governo de Minas". O senador afirmou que Pimentel "concentra suas energias em tentar destruir o trabalho realizado com amor, dedicação e eficiência por uma equipe formada por milhares de mineiros" e que "é uma pena que o interesse político menor tenha falado mais alto que os verdadeiros interesses do nosso Estado".
Em nota divulgada pelo presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, o diretório tucano no Estado afiram que Pimentel "protagonizou um lamentável esforço para desviar a atenção da opinião pública de Minas Gerais do verdadeiro estelionato eleitoral praticado pelo PT também em nosso Estado".
A nota afirma que "após três meses de um governo fraco, sem ousadia e que tem dado reiteradas demonstrações de incapacidade para cuidar das demandas da população, o governador e seus secretários mobilizaram a atenção dos mineiros simplesmente para criticar adversários políticos". Para o PSDB, Pimentel e os secretários "manipularam e sonegaram informações, retiraram números de seus contextos reais e justificaram a paralisia e a falta de rumo da atual administração".
O PSDB não respondeu sobre a perda dos medicamentos vencidos em depósito contratado pelo governo.
Caos financeiro
A auditoria, que apontou crescimento da dívida pública nas gestões tucanas e negou ter havido "choque de gestão" e "déficit zero", como pregado pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB), foi apresentada por Pimentel e secretários nesta segunda-feira (6) em entrevista coletiva. O balanço, apontou o governador, é preliminar e deu vazão a uma sequência de auditorias abertas pela Controladoria Geral do Estado, que investiga possíveis desvios.
A dívida de Minas na área da saúde chega a R$ 1,5 bilhão em convênios abertos e contas a pagar neste ano. Enquanto isso, o número de leitos caiu de 37,5 mil, em 2006, para 36,6 em 2015.















