Grávida de quatro meses é velada em BH com ultrassom sobre o corpo após acidente em Petrópolis (RJ)
Familiares de Ketelyn Polyane cobram justiça; namorado afirma que passageiros pediram ao motorista que reduzisse a velocidade
Minas Gerais|Wagner de Oliveira, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, uma das dez vítimas do acidente com um ônibus que seguia para o Rio de Janeiro, estava grávida de quatro meses. Durante o velório no bairro Lagoinha, região Noroeste de Belo Horizonte, familiares colocaram sobre o corpo da jovem uma imagem do ultrassom do bebê, símbolo do filho que ela sonhava ter.
A viagem havia sido preparada como uma surpresa pelo namorado, Gabriel Bernardes, de 21 anos, que também estava no ônibus e sofreu ferimentos na cabeça e nas costas. Segundo ele, seria a primeira viagem do casal. Ketelyn planejava telefonar para a mãe assim que chegasse à praia para contar a novidade.
Gabriel afirmou que a jovem demonstrou medo por causa da velocidade do ônibus. De acordo com o relato dele, passageiros chegaram a pedir ao motorista que diminuísse.
“Eu fui o primeiro a gritar, porque vi que ela estava realmente com medo. Falei com o motorista para não correr, porque minha esposa estava grávida. Depois, todo mundo começou a gritar também”, contou.
Ainda conforme Gabriel, um integrante da organização teria respondido que aquela forma de conduzir o veículo era “normal”. O jovem disse que, minutos antes do acidente, a namorada o abraçou, declarou que o amava e agradeceu por tudo o que ele havia feito por ela.
Após o ônibus tombar, Gabriel tentou proteger a companheira, mas acabou lançado em direção a uma ribanceira. Ferido, ele procurou pela jovem dentro do veículo e em outros pontos do local. Mais tarde, recebeu a confirmação da morte dela.
O vigilante contou que somente no hospital soube que o bebê esperado pelo casal era um menino. Os dois organizavam uma festa para revelar o sexo da criança.
“Estava tudo organizado, nós estávamos pagando tudo certinho, do jeito que ela sempre sonhou. Era a nossa primeira viagem juntos. Na parte emocional, estamos muito mal. A gente perdeu tudo o que era nosso”, lamentou.
O professor Lucas Marra de Freitas, primo da vítima, descreveu Ketelyn como uma jovem animada, responsável por organizar as festas e os encontros da família. Segundo ele, a notícia da gravidez, revelada havia quatro meses, foi recebida com surpresa e felicidade.
“Ela sempre foi a pessoa que puxava as festas da família. No Natal, ficava muito animada e organizava o amigo oculto. Nunca imaginávamos passar por uma situação como esta, principalmente com uma pessoa jovem e grávida”, afirmou.
A família cobra a responsabilização dos envolvidos e pede que o caso não seja esquecido. Kênia Freitas, advogada e prima da jovem, defende que as circunstâncias do acidente sejam investigadas como possíveis homicídios dolosos, quando existe a alegação de que o responsável assumiu o risco de provocar as mortes.
“Ela está sendo velada com um ultrassom sobre o corpo, do filho que sonhava ter. A família espera que a Justiça seja feita”, declarou Kênia.
As circunstâncias do acidente e a responsabilidade dos envolvidos ainda deverão ser apuradas pelas autoridades.
Relembre o caso
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o ônibus tombou por volta das 4h30, no km 91 da rodovia, na descida da Serra de Petrópolis, na região de Cascatinha. O coletivo teria saído de Belo Horizontecom destino ao Rio de Janeiro. A perícia foi acionada, e a ocorrência foi encaminhada à 105ª Delegacia de Polícia, em Petrópolis.
O Corpo de Bombeiros informou que algumas vítimas ficaram presas às ferragens. Durante o resgate, os militares precisaram fazer escavações para alcançar e retirar passageiros. Os feridos foram encaminhados a unidades de saúde, entre elas os hospitais Santa Teresa, em Petrópolis; Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias; e Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
Em nota, a Estela Guia lamentou o acidente, manifestou solidariedade às vítimas e aos familiares e afirmou que está colaborando com as autoridades. A empresa declarou ainda que presta assistência aos envolvidos e aguarda a conclusão das investigações sobre as circunstâncias do tombamento.
Sobre outros questionamentos envolvendo o ocorrido, o advogado da empresa, Aroldo Leão Braz, disse, em nota, que a empresa não fará manifestações sobre o caso e que eventuais esclarecimentos e manifestações serão apresentados nos autos dos processos dos quais a empresa venha a fazer parte.
Nota da empresa Estrela Guia:
“A Estela Guia manifesta profundo pesar pelo grave acidente ocorrido e se solidariza com as vítimas, seus familiares e todos os envolvidos neste momento de dor.
Desde os primeiros momentos, a empresa está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos e adotando todas as medidas necessárias para prestar assistência às vítimas e seus familiares.
A Estela Guia está acompanhando de perto a situação e disponibilizando o suporte necessário, ao mesmo tempo em que aguarda a conclusão das investigações para que as circunstâncias do acidente sejam devidamente esclarecidas.
Neste momento de profunda consternação, pedimos respeito à privacidade das famílias e das pessoas afetadas.
A empresa reafirma seu compromisso de colaborar com as autoridades e prestar os esclarecimentos necessários, sempre pautada pelo respeito, pela transparência e pela responsabilidade".
Nota do advogado da Estrela Guia:
“Neste momento, a empresa não fará manifestações sobre o caso. Eventuais esclarecimentos e manifestações serão apresentados oportunamente nos autos dos processos dos quais a empresa venha a fazer parte.
Estrela Guia
Assessoria Jurídica: Leão Braz Advogados – Dr. Aroldo Leão Braz".
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

















