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Idosas são resgatadas após 75 anos em situação análoga à escravidão em BH

Vítimas viviam reclusas; empregadores alegaram que mantinham uma “relação familiar” com as mulheres

Minas Gerais|Victor Assunção*, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas em Belo Horizonte após viverem mais de meio século em condições análogas à escravidão doméstica.
  • Os empregadores alegaram ter uma "relação familiar" com as vítimas, mas não havia evidências de tratamento igualitário ou direitos patrimoniais.
  • As idosas realizavam tarefas domésticas sem acesso a direitos trabalhistas e foram encaminhadas para acompanhamento psicológico e social.
  • A Superintendência Regional do Trabalho acredita que a idosa de 90 anos pode ser a mais velha já resgatada em situação de escravidão no país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Empregadores alegaram que mantinham uma “relação familiar” com as mulheres
Empregadores alegaram que mantinham uma “relação familiar” com as mulheres Reprodução/RECORD Minas

Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas na manhã desta quinta-feira (03) após passarem mais de meio século em condições análogas à escravidão doméstica, em Belo Horizonte, conforme informado pela fiscalização federal e trabalhista.

De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal, responsáveis pela operação, uma das idosas permaneceu vinculada à residência por 75 anos, enquanto a outra ficou com a família por 60 anos.


Os suspeitos, donos da residência, alegaram que mantinham uma “relação familiar” com as vítimas. O Ministério do Trabalho e Emprego concluiu que não havia elementos que comprovassem a igualdade de tratamento relatadas pelos empregadores, nem mesmo garantias de direitos patrimoniais ou sucessórios.

A apuração da RECORD Minas teve acesso a informação que as duas idosas estão sob os cuidados de uma instituição. Uma das vítimas é natural de Furquim, distrito de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, a idosa apresenta dificuldades de memória, mas ainda consegue se lembrar de algumas informações sobre a própria história. A instituição tenta agora localizar possíveis familiares da vítima para ajudá-la no processo de reconstrução da vida após o resgate.


Ainda segundo as entidades, as vítimas realizavam tarefas domésticas sem qualquer acesso a direitos trabalhistas básicos, e totalmente reclusas. Com a libertação das idosas, ambas foram encaminhadas para acompanhamento psicológico e social em um abrigo da rede de proteção.

De acordo com Carlos Calazans, Superintendente Regional do Trabalho, as vítimas não possuem nenhum familiar ou amigo que possam ajudá-las. O oficial acrescentou que o Ministério do Trabalho está agindo junto à Prefeitura de Belo Horizonte para conseguir abrigo, apoio psicológico e tudo que for necessários para que as idosas consigam seguir a vida com dignidade.


Por fim, a Superintendência desconfia que a idosa de 90 seja a de maior idade já resgatada em situação de trabalho análogo à escravidão na história do país.

*Estagiário sob supervisão de Cler Santos

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