Inquérito aponta falhas graves e indicia três por morte em parque de diversões em Itabirito (MG)
Polícia Civil conclui que acidente não foi fatalidade e vê dolo eventual na atuação de responsáveis
Minas Gerais|Cler Santos, do R7 e Rosildo Mendes da RECORD Minas.

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o acidente em um parque de diversões em Itabirito e apontou que a morte de uma jovem de 21 anos não foi uma fatalidade. O procedimento foi remetido ao Ministério Público de Minas Gerais no dia 28 de abril de 2026, com o indiciamento de três pessoas — o proprietário do parque, o operador do brinquedo e o responsável técnico — por homicídio doloso qualificado, na modalidade de dolo eventual, além de tentativas de homicídio contra outras vítimas.
Segundo a investigação, baseada em perícia oficial, interrogatórios e análises técnicas, o equipamento apresentava uma falha estrutural progressiva, preexistente e detectável, incompatível com o funcionamento seguro. A Polícia Civil apontou ainda responsabilidades “distintas e convergentes” nas esferas de gestão, operação e fiscalização, indicando que o brinquedo funcionava em um contexto de risco grave. Para os investigadores, havia condições de evitar o acidente, o que afasta a hipótese de um evento imprevisível.
Contexto do caso
O acidente ocorreu na noite de 11 de abril, no parque Minas Center Park, quando o brinquedo conhecido como “minhocão” apresentou falha durante o funcionamento. Uma peça teria se soltado, fazendo com que o primeiro vagão descarrilasse em uma curva e capotasse. Quatro pessoas estavam no equipamento e foram arremessadas.
A jovem Carolina Beatriz de Deus Maciel, de 21 anos, sofreu traumatismo cranioencefálico grave e morreu ainda no local, após parada cardiorrespiratória. Outras três pessoas — duas mulheres e um homem — ficaram feridas e receberam atendimento médico.
Logo após o acidente, dois homens, de 24 e 45 anos, foram presos em flagrante. Inicialmente, eles foram autuados por homicídio culposo e lesão corporal, mas a prisão foi convertida em preventiva durante audiência de custódia, já com indícios de homicídio com dolo eventual. Entre os pontos levantados à época estavam possíveis falhas na operação do brinquedo, ausência de documentação de segurança e falta de controle adequado de uso.
Relatos também indicaram que o equipamento possuía apenas uma barra de contenção, sem dispositivos adicionais de segurança, além da ausência de sinalização clara sobre limites de peso e altura.
A investigação envolveu ainda órgãos como o CREA-MG, Prefeitura de Itabirito e Corpo de Bombeiros, responsáveis por diferentes frentes de fiscalização. O brinquedo foi interditado após o acidente. Com a conclusão do inquérito, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que deve decidir sobre o oferecimento de denúncia e os próximos passos na Justiça.
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