Irmãos suspeitos de matar o pai durante briga são liberados em Belo Horizonte
Delegado não ratificou a prisão em flagrante; jovens alegaram que tentavam proteger a mãe durante uma situação de violência doméstica
Minas Gerais|Stéphanie Lisboa, da RECORD Minas
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Os irmãos de 18 de 21 anos, suspeitos de matar o próprio pai durante uma briga familiar, foram liberados após serem levados à Delegacia de Plantão. O caso aconteceu na madrugada de sábado (8), no bairro Capitão Eduardo, em Belo Horizonte, as vésperas do Dia dos Pais.
Segundo a defesa dos jovens, o delegado decidiu não ratificar a prisão em flagrante. A decisão considerou que os irmãos permaneceram no local, aguardaram a chegada do socorro e da Polícia Militar e colaboraram com as autoridades, prestando esclarecimentos sobre o ocorrido. Ambos trabalham, têm endereço fixo e não possuem passagens policiais.
A liberação, no entanto, não encerra a investigação nem representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos. As circunstâncias da morte continuarão sendo apuradas, com a realização de perícias e a oitiva de testemunhas.
A vítima, Admilson Gomes da Silva Araújo, de 43 anos, morreu após ser imobilizada pelos filhos dentro da residência da família, localizada em uma área de ocupação na Rua Eucalipto. De acordo com o relato dos irmãos à polícia, o pai teria chegado em casa embriagado, em estado de alteração, e começado a ameaçar e agredir a companheira, de 38 anos.
Os irmãos afirmaram que tentaram proteger a mãe e conter o pai. Durante a luta corporal, eles teriam aplicado em Admilson um golpe conhecido como “mata-leão” e amarrado as mãos dele. Vizinhos ouviram a confusão e acionaram a polícia por volta das 4h19.
Quando os militares chegaram, perceberam que Admilson estava sem sinais vitais. A morte foi confirmada por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os irmãos disseram que não tinham a intenção de matar o pai e relataram que ele chegava frequentemente embriagado à residência e agredia a companheira.
Ao justificar a não ratificação do flagrante, a autoridade policial também considerou a possibilidade de legítima defesa no momento em que Rafael teria segurado o pai. Essa hipótese, porém, ainda será analisada durante as investigações.
A família vivia em uma casa de aproximadamente três cômodos, em condições precárias e de difícil acesso. Além do casal e dos dois irmãos, uma menina de 9 anos também morava no imóvel.
Em nota, a advogada Lorena Chagas, responsável pela defesa, afirmou que os jovens permanecem à disposição das autoridades. A defesa ressaltou que o episódio deve ser analisado levando em consideração o histórico relatado de violência e conflitos familiares.
A perícia esteve no imóvel e concluiu os trabalhos no local. O caso seguirá sob investigação.
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