Justiça nega pedido de revogação da prisão de diarista acusada de matar casal de idosos em BH
Juiz destacou a gravidade do caso e o modo como o crime teria sido cometido para não conceder liberdade à Paola Stefany Neto Cirino
Minas Gerais|Lucas Leal*, da Record Minas
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A Justiça de Minas Gerais negou, nessa quinta-feira (06), o pedido de revogação da prisão preventiva da diarista Paola Stefany Neto Cirino, denunciada pelo Ministério Público pela morte de um casal de idosos no bairro São Pedro. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, que entendeu que permanecem os requisitos para a manutenção da prisão cautelar da acusada.
Para pedir a liberdade de Paola, a defesa dela alegou ausência dos requisitos da prisão preventiva, além de sustentar que a ré é primária, possui residência fixa e ocupação lícita. No entanto, o magistrado acolheu o parecer do Ministério Público e concluiu que permanecem presentes indícios suficientes de autoria, da materialidade do crime e do risco à ordem pública.
Segundo o juiz, Alexandre Magno de Resende Oliveira, não houve qualquer alteração nos fatos que justificasse a concessão de liberdade provisória ou a substituição da prisão por medidas cautelares. Na decisão, o juiz destacou a gravidade do caso e o modo como o crime teria sido cometido.
Conforme a denúncia do MP, as vítimas, Cláudio Atala Inácio, de 76, e Maria Clotilde, de 75, foram mortas durante um roubo em que foram levados celulares, joias e relógios. Os laudos periciais apontam que o homem sofreu 43 lesões perfurocortantes e a mulher, 15, além de ambos apresentarem queimaduras na face, tórax e membros, circunstâncias que, segundo o magistrado, evidenciam extrema violência e crueldade.
Outro fator considerado para a manutenção da prisão foi a suposta fuga da acusada após o crime. Conforme a decisão, Paola deixou o endereço onde residia em Ribeirão das Neves e foi localizada e presa em Itabira, o que, para a Justiça, demonstra risco à aplicação da lei penal.
Ao final, o magistrado indeferiu o pedido de liberdade e também rejeitou a aplicação de medidas cautelares alternativas, como monitoramento eletrônico. A decisão ainda determina que o Instituto de Criminalística da Polícia Civil encaminhe, em até cinco dias, os vídeos produzidos durante a reprodução simulada dos fatos para serem anexados ao processo, conforme solicitação da defesa.
Denúncia do MP
A Justiça recebeu a denúncia contra Paola no dia 1 de agosto. A mulher responderá por dois latrocínios consumados e agravados, fraude processual qualificada e furto qualificado. O processo também tem como réu Leonardo do Nascimento, denunciado por furto qualificado.
Os idosos, Cláudio Atala Inácio, de 76, e Maria Clotilde, de 75, foram assassinados em 29 de junho deste ano. Segundo a denúncia recebida pela Justiça, Paola teria cometido os homicídios com o objetivo de subtrair bens das vítimas e, depois, alterado a cena do crime para dificultar o trabalho da perícia.
Exames toxicológicos também apontaram a presença de clonazepam e alprazolam nos organismos das vítimas. Para a Justiça, o resultado sustenta a acusação de que os idosos tiveram a capacidade de defesa dificultada.
Cena do crime teria sido alterada
A denúncia também aponta que a cena do crime teria sido modificada para apagar vestígios. Conforme o laudo pericial citado na decisão, panos de chão foram deixados de molho em água sanitária e desinfetantes dentro do tanque da área de serviço. A suspeita é de que a ação tivesse como objetivo eliminar vestígios de sangue e dificultar o trabalho da perícia.
Imagens das câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada de Paola no imóvel às 7h28 e a saída dela às 15h32. Segundo a decisão, ela deixou o local carregando sacolas com pertences das vítimas e usando roupas diferentes das que vestia ao chegar.
Um dos principais elementos apontados pela investigação é uma unha postiça de gel encontrada sob o corpo de Cláudio Atala. De acordo com a decisão, imagens mostram que Paola entrou no apartamento usando o mesmo tipo de unha no dedo anelar direito e saiu sem o acessório.
Outros investigados
A Justiça ainda determinou o desmembramento do processo em relação a outros três investigados: Junio Ferreira Morais, Vitor Manuel Soares Bartolomeu e Wesley Fernandes da Silva. No caso deles, serão analisadas propostas de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) por crimes de receptação.
Já em relação a Vinícius Moreira Mitre, primo de Maria Clotilde, as investigações deverão prosseguir em um inquérito separado. Conforme a decisão, ele teria indicado Paola para trabalhar na residência dos idosos. A Justiça também registra que, durante a execução do crime, a acusada teria ligado para Vinícius e informado que uma das vítimas estava “passando mal”, sem que ele tomasse providências.
A denúncia contra Paola e Leonardo foi recebida pela Justiça. Os dois deverão apresentar resposta à acusação no prazo legal de dez dias.
A defesa de Paola também pediu a revogação da prisão preventiva. O juiz determinou que o Ministério Público se manifeste antes de analisar o pedido.
*Sob supervisão de Arnon Gonçalves
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