Incêndio atinge prédio abandonado e deixa mulher em estado grave em Belo Horizonte
Imóvel onde funcionava a antiga Telemig era alvo frequente de invasões e furtos; bombeiro também precisou de atendimento
Minas Gerais|Ana Paula Pedrosa, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Um incêndio atingiu um prédio comercial abandonado no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na tarde desse domingo (9). Uma mulher foi socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital João XXIII. Outras cinco pessoas que estavam no imóvel conseguiram deixar o local por conta própria.
O fogo começou por volta das 16h45 e tomou conta de parte do primeiro andar do edifício, localizado entre a rua Marabá e a avenida Prudente de Morais. Vídeos gravados pouco depois do início do incêndio mostram uma grande quantidade de fumaça preta saindo do prédio, onde funcionava a antiga telefonia Telemig, posteriormente Oi.
Sete viaturas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para combater as chamas. Durante o atendimento, a avenida Prudente de Morais precisou ser fechada temporariamente.
Segundo o capitão Sérgio Lamego Magalhães, do Corpo de Bombeiros, algumas das pessoas que estavam no imóvel já deixavam o prédio pelas janelas quando as equipes chegaram. O local costuma ser ocupado por pessoas em situação de rua.
Vítima localizada por câmera térmica
A mulher socorrida em estado grave foi encontrada durante as buscas realizadas pelos militares. Devido à grande quantidade de fumaça e à baixa visibilidade dentro do imóvel, os bombeiros utilizaram uma câmera térmica para localizar a vítima e retirá-la com segurança.
Ainda conforme a corporação, havia pessoas no primeiro, no segundo e no terceiro andares. O trabalho das equipes foi dificultado pela estrutura interna do prédio, formada por diversas salas, que precisaram ser vistoriadas uma a uma.
Um militar do Corpo de Bombeiros também precisou receber atendimento durante a operação. Não foram divulgados detalhes sobre o estado de saúde dele.
Por causa da fumaça e do forte cheiro que permaneceu na região, moradores de imóveis próximos foram orientados a deixar as casas temporariamente e manter portas e janelas abertas para facilitar a ventilação.
A enfermeira Adelaide Belga, que mora perto do edifício, procurou a casa de parentes e afirmou que não conseguiu retornar ao imóvel devido à intensidade da fumaça.
Prédio era alvo de invasões e furtos
O edifício já era motivo de preocupação para os moradores da região. No dia 27 de julho, uma equipe da RECORD Minas esteve no local e flagrou dois homens deixando o prédio com uma mala e uma sacola.
Outros vídeos gravados por moradores mostram movimentações no imóvel durante o dia e à noite. Em um dos registros, um homem sai carregando mangueiras. Em outro, um suspeito pula o portão enquanto um comparsa arremessa mochilas, que estariam com cabos, por cima do muro. Também há imagens de objetos sendo retirados pelas janelas e colocados em um carrinho de supermercado.
Moradores relatam que as invasões e os furtos de cabos de energia e de telefonia se tornaram frequentes. Eles afirmam ainda que o edifício passou a ser utilizado como ponto de apoio para invasões de imóveis vizinhos.
O tipo de material acumulado no interior do prédio pode ter contribuído para a propagação das chamas. No entanto, as causas do incêndio ainda não foram confirmadas e deverão ser apuradas.
Para os vizinhos, o episódio era uma “tragédia anunciada”. A comunidade afirma que cobra, há meses, providências para impedir novas invasões e garantir a segurança do imóvel.
Defesa Civil avalia estrutura
A Defesa Civil de Belo Horizonte foi acionada na noite de domingo para verificar as condições estruturais do edifício, localizado no número 1.001 da avenida Prudente de Morais.
Segundo o órgão, a realização da vistoria depende das condições de segurança no interior do prédio. A visibilidade reduzida, a presença de fumaça e a alta temperatura após o incêndio poderiam impedir o acesso imediato da equipe.
Caso a inspeção não pudesse ser realizada com segurança, a avaliação seria remarcada para quando o imóvel apresentasse condições adequadas de acesso.
O Ministério Público também se pronunciou sobre o ocorrido. O órgão disse que já adotou providências em relação ao imóvel, diante dos indícios de abandono, degradação e risco à segurança da população.
Segundo o MP, o objetivo é viabilizar a adoção de medidas emergenciais pela empresa ou pelos responsáveis pelo prédio, incluindo o fechamento físico dos acessos ao imóvel, a adoção de vigilância, a realização de vistorias, a limpeza da área e a mitigação de riscos que possam comprometer a integridade de moradores.
Nota do Ministério Público na íntegra:
“O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informa que adotou providências institucionais em relação ao imóvel atribuído ao Grupo Oi, localizado no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, após incêndio registrado no local no último domingo, 9 de agosto, e diante de indícios de abandono, degradação e risco à segurança da população.
Como a empresa está em recuperação judicial, em processo que tramita perante o juízo competente no Estado do Rio de Janeiro, o MPMG encaminhou ofício de cooperação institucional ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), solicitando atuação urgente nos autos próprios.
O objetivo é viabilizar, perante o juízo da recuperação judicial, a adoção de medidas emergenciais pela empresa ou pelos responsáveis legais, incluindo o fechamento físico dos acessos ao imóvel, a adoção de vigilância, a realização de vistorias, a limpeza da área e a mitigação de riscos que possam comprometer a integridade de moradores, transeuntes e da comunidade local.
A prioridade institucional é garantir uma resposta célere, coordenada e juridicamente adequada para prevenir novos incidentes e proteger a segurança da população".
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